Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 183 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

O Cão que Veio do Abismo

Roeu-me os ossos da alma,

E erguendo a perna — o que eu cismo — Mijou no meu misticismo

Que me dava a minha calma.

O cão veio de onde dorme

Aquele anseio que tenho

Por qualquer coisa de enorme

Que indistintamente forme

A forma de quanto estranho.

E depois de isso completo

O cão que veio do abismo

Que estava inteiro e repleto

Fez sobre tudo o dejeto

Que é hoje o meu misticismo.