Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 228 de 291

Páginas do PDF

Poesia de Álvaro de Campos

Profunda e Religiosa Solidão do Indefinido Universo

PROFUNDA E RELIGIOSA SOLIDÃO DO

INDEFINIDO UNIVERSO

IV

Profunda e religiosa solidão do inde nido Universo, Vastidão enorme, nem larga nem alta nem comprida, mas só espaço, o constelado espaço

Deste mistério azul-negro e estrelado onde a terra é uma coisa E as vidas aparecem como lanchas à superfície da água... Raios de sol entrando pela janela entreaberta no quarto da casa de campo, Meios-dias nas eiras abandonadas,

Tardes noites para encontros em outras margens de rios, Fazei do nosso conseguimento natural um sossego, uma capa E descei sobre a minha alma...

Vós ó campos repousados e incivilizados.

Vós ó rios tranquilamente passando por uma inquietação. Vós ó jardins públicos às tardes visitados

Vós ó tanques de quintas, vós ó lareiras em solares, E disperso arfar de sedas pretas o silêncio da noite.