Poesia de Álvaro de Campos
Os Emigrados
Sós nas grandes cidades desamigas,
Sem falar a língua que se fala nem a que se pensa, Mutilados da relação com os outros,
Que depois contarão na pátria os triunfos da sua estada. Coitados dos que conquistam Londres e Paris!
Voltam ao lar sem melhores maneiras nem melhores caras Apenas sonharam de perto o que vira — Permanentemente estrangeiros.
Mas não rio deles. Tenho eu feito outra coisa com o ideal? E o propósito que uma vez formei num hotel, planeando a legenda? É um dos pontos negros da biogra a que não tive.