Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 257 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

o

Quem sou eu, a nal, por que te saúdo?

Quem com nome e língua e sem voz?

A labuta prostituta do caldeamento de […] Nos altos-fornos de mim!

o

Minha oração-cavalgada!

Minha saudação-arranco!

Quem como tu sentiu a vida individual de tudo?

Quem como tu esgotou sentir-se – a vida — sentir-nos? Quem como tu tem sempre o sobresselente por próprio E transborda por norma da norma — forma da Vida? […]

a minha alegria é uma raiva,

o meu arranco um choque

(Pá!)

em mim…

Saúdo-te em ti ó Mestre da minha doença de saúde o primeiro doente perfeito da universalite que tenho o caso-nome do «mal de Whitman» que há dentro de mim! St. Walt dos Delírios Ruidosos e a Raiva!

p

Abram todas as portas!

Partam os vidros das janelas!

Omitam fechos na vida de fechar!

Omitam a vida de fechar da vida de fechar!

Que fechar seja estar aberto sem fechos que lembrem, Que parar seja o nome alvar de prosseguir,

Que o m seja sempre uma coisa abstrata e ligada Fluida a todas as horas de passar por ele!

Eu quero respirar!

Dispam-me o peso do meu corpo!

Troquem a alma por asas abstratas, ligadas a nada!