Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 234 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Quase Sem Querer (Se o Soubéssemos!)

QUASE SEM QUERER (SE O

SOUBÉSSEMOS!)

Quase sem querer (se o soubéssemos!) os grandes homens saindo dos homens vulgares

O sargento acaba imperador por transições impercetíveis Em que se vai misturando

O conseguimento com o sonho do que se consegue a seguir E o caminho vai por degraus visíveis, depressa.

Ai dos que desde o princípio veem o m!

Ai dos que aspiram a saltar a escada!

O conquistador de todos os impérios foi sempre ajudante de guarda-livros A amante de todos os reis — mesmo dos já mortos — é mãe séria e carinhosa, Se assim como vejo os corpos por fora, visse as almas por dentro. Ah, que penitenciária os desejos! 

Que manicómio o sentido da vida!