Poesia de Álvaro de Campos
Faze as Malas para Parte Nenhuma!
FAZE AS MALAS PARA PARTE
NENHUMA!
Faze as malas para Parte Nenhuma!
Embarca para a universalidade negativa de tudo
Com um grande embandeiramento de navios ngidos — Dos navios pequenos, multicolores, da infância!
Faz as malas para o Grande Abandono!
E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,
A distância policroma do que se não pode obter.
Faze as malas de nitivamente!
Que és tu aqui, onde existes gregário e inútil — E quanto mais útil mais inútil —
E quanto mais verdadeiro mais falso — Que és tu aqui? que és tu aqui? que és tu aqui?
Embarca, sem malas mesmo, para ti mesmo diverso! Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?