Poesia de Álvaro de Campos
Capítulo i
E concordemos em mandar à merda o mundo e a vida Por quebranto no olhar, e não por desprezo ou aversão Isto, a nal é saudar-te,
Seja o que for, é saudar-te,
Seja o que valha, é amar-te,
Seja o que calhe, é concordar contigo… Seja o que for é isto. E tu compreendes, tu gostas, Tu, a chorar no meu ombro, concordas, meu velho, comigo — (Quando parte o último comboio? — Vilegiatura em Deus…)
Vamos, con adamente, vamos…
Isto tudo deve ter um outro sentido
Melhor que viver e ter tudo…
Deve haver um ponto de consciência
Em que a paisagem se transforme
E comece a interessar-nos, a acudir-nos, a sacudir-nos… Em que comece a haver fresco na alma
E sol e campo nos sentidos despertos recentemente. Seja onde for a estação, lá nos encontraremos… Espera-me à porta, Walt; lá estarei… Lá estarei sem o universo, sem a vida, sem eu-próprio, sem nada… E relembraremos, a sós, silenciosos, com a nossa dor O grande absurdo do mundo, a dura inépcia das coisas E sentirei, o mistério sentirei tão longe, tão longe, tão longe, Tão absoluta e abstratamente longe,
De nitivamente longe.
i
Heia o quê? Heia porquê? Heia pra onde?
Heia até onde?