Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 254 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Capítulo i

E concordemos em mandar à merda o mundo e a vida Por quebranto no olhar, e não por desprezo ou aversão Isto, a nal é saudar-te,

Seja o que for, é saudar-te,

Seja o que valha, é amar-te,

Seja o que calhe, é concordar contigo… Seja o que for é isto. E tu compreendes, tu gostas, Tu, a chorar no meu ombro, concordas, meu velho, comigo — (Quando parte o último comboio? — Vilegiatura em Deus…)

Vamos, con adamente, vamos…

Isto tudo deve ter um outro sentido

Melhor que viver e ter tudo…

Deve haver um ponto de consciência

Em que a paisagem se transforme

E comece a interessar-nos, a acudir-nos, a sacudir-nos… Em que comece a haver fresco na alma

E sol e campo nos sentidos despertos recentemente. Seja onde for a estação, lá nos encontraremos… Espera-me à porta, Walt; lá estarei… Lá estarei sem o universo, sem a vida, sem eu-próprio, sem nada… E relembraremos, a sós, silenciosos, com a nossa dor O grande absurdo do mundo, a dura inépcia das coisas E sentirei, o mistério sentirei tão longe, tão longe, tão longe, Tão absoluta e abstratamente longe,

De nitivamente longe.

i

Heia o quê? Heia porquê? Heia pra onde?

Heia até onde?