Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 229 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Psiquetipia

Símbolos. Tudo símbolos…

Se calhar, tudo é símbolos…

Serás tu um símbolo também?

Olho. desterrado de ti, as tuas mãos brancas

Postas, com boas maneiras inglesas, sobre a toalha de mesa, Pessoas independentes de ti…

Olho-as: também serão símbolos?

Então todo o mundo é símbolo e magia?

Se calhar é…

E porque não há de ser?

Símbolos…

Estou cansado de pensar…

Ergo nalmente os olhos para os teus olhos que me olham. Sorris, sabendo bem em que eu estava pensando… Meu Deus! e não sabes…

Eu pensava nos símbolos…

Respondo elmente à tua conversa por cima da mesa… «It was very strange, wasn’t it?»

«Awfully strange. And how did it end?»

«Well, it didn’t end. It never does, you know.» Sim, you know… Eu sei…

Sim, eu sei…

É o mal dos símbolos, you know.

Yes, I know.

Conversa perfeitamente natural… Mas os símbolos? Não tiro os olhos de tuas mãos… Quem são elas? Meu Deus! Os símbolos… Os símbolos…