Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 126 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Há Cortejos Pompas Discursos

Na inauguração quotidiana dos meus sentimentos inúteis… São iluminada à veneziana por luzes contentes

As minhas deceções, e os meus desesperos vão em carrocel Por uma necessidade fatídica do destino.

HÁ MAIS DE MEIA HORA

Há mais de meia hora 

Que estou sentado à secretária 

Com o único intuito 

De olhar para ela.

(Estes versos estão fora do meu ritmo. 

Eu também estou fora do meu ritmo.)

Tinteiro grande à frente. 

Canetas com aparos novos à frente. 

Mais para cá papel muito limpo. 

Ao lado esquerdo um volume da Enciclopédia Britânica. Ao lado direito —

Ah, ao lado direito! —

A faca de papel com que ontem 

Não tive paciência para abrir completamente 

O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!