Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 190 de 291

Páginas do PDF

Poesia de Álvaro de Campos

O Horror Sórdido do que a Sós Consigo

O HORROR SÓRDIDO DO QUE A SÓS

CONSIGO

O horror sórdido do que, a sós consigo,

Vergonhosa de si, no escuro, cada alma humana pensa.

O HORROR SÓRDIDO DO QUE A SÓS

CONSIGO

Faz as malas para Parte Nenhuma!

Embarca para a universalidade negativa de tudo

Com um grande embandeiramento de navios ngidos Dos navios pequenos, multicolores, da infância!

Faz as malas para o Grande Abandono!

E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,

A distância polícroma do que se não pode obter.

Faz as malas de nitivamente!

Quem és tu aqui, onde existes gregário e inútil — E quanto mais útil mais inútil —

E quanto mais verdadeiro mais falso — Quem és tu aqui? quem és tu aqui? quem és tu aqui? Embarca, sem malas mesmo, para ti mesmo diverso! Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?

2/5/1933