Poesia de Álvaro de Campos
O Horror Sórdido do que a Sós Consigo
O HORROR SÓRDIDO DO QUE A SÓS
CONSIGO
O horror sórdido do que, a sós consigo,
Vergonhosa de si, no escuro, cada alma humana pensa.
O HORROR SÓRDIDO DO QUE A SÓS
CONSIGO
Faz as malas para Parte Nenhuma!
Embarca para a universalidade negativa de tudo
Com um grande embandeiramento de navios ngidos Dos navios pequenos, multicolores, da infância!
Faz as malas para o Grande Abandono!
E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,
A distância polícroma do que se não pode obter.
Faz as malas de nitivamente!
Quem és tu aqui, onde existes gregário e inútil — E quanto mais útil mais inútil —
E quanto mais verdadeiro mais falso — Quem és tu aqui? quem és tu aqui? quem és tu aqui? Embarca, sem malas mesmo, para ti mesmo diverso! Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?
2/5/1933