Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 207 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

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Ai de ti, ai de ti, ai de nós!

Por detrás destas leis in exíveis e ferozes da vida

Haverá alguma ternura divina que compense isto tudo? Ainda tens o berço dele a um canto, em casa...

Ainda tens guardados os fatinhos dele, de pequeno... Ainda tens numa gaveta alguns brinquedos partidos… Agora, sim, agora, vai olhá-los e chorar sobre eles... Não sabes onde é a sepultura do teu lho...

Foi o n.º qualquer coisa do regimento um tal,

Morreu lá prà Marne em qualquer parte... Morreu... O lho que tu tiveste ao peito, que amamentaste e que criaste. Que remexera no teu ventre...

O rapazote feito que dizia graças e tu rias tanto...

Agora é podridão… Bastou em linha alemã Um bocado de chumbo, do tamanho dum prego, e a tua vida é triste… Receberás um prémio do [?Estado?]. Dirão que o teu lho foi um herói… (Ninguém sabe, de resto, se ele foi herói ou não)

É um anónimo pra a história…

«Morreram 20 mil homens na batalha de tal…» Ele era um deles… E o teu coração de mãe sangrou tanto põe esse herói de que a história não dirá nada… O acontecimento mais importante da guerra foi aquele para ti…