Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 287 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Vendi-Me de Graça Aos Casuais do Encontro

VENDI-ME DE GRAÇA AOS CASUAIS

DO ENCONTRO

Vendi-me de graça aos casuais do encontro.

Amei onde achei, um pouco por esquecimento.

Fui saltando de intervalo em intervalo

E assim cheguei onde cheguei na vida.

Hoje, recordando o passado

Não encontro nele senão quem não fui… A criança inconsciente na casa que cessaria,

A criança maior errante na casa das tias já mortas, O adolescente inconsciente ao cuidado do primo padre tratado por tio, O adolescente maior enviado para o estrangeiro (mania do tutor novo). O jovem inconsciente estudando na Escócia, estudando na Escócia… O jovem inconsciente já homem cansado de estudar na Escócia. O homem inconsciente tão diverso e tão estúpido de depois… Não tendo nada de comum com o que foi,

Não tendo nada de igual com o que penso,

Não tendo nada de comum com o que poderia ter sido. Eu…

Vendi-me de graça e deram-me feijões por troco — Os feijões dos jogos de mesa da minha infância varrida.