Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 113 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Estou Cansado É Claro

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: 

De nada me serviria sabê-lo, 

Pois o cansaço ca na mesma. 

A ferida dói como dói 

E não em função da causa que a produziu. 

Sim, estou cansado, 

E um pouco sorridente 

De o cansaço ser só isto —

Uma vontade de sono no corpo, 

Um desejo de não pensar na alma, 

E por cima de tudo uma tranquilidade lúcida 

Do entendimento retrospetivo... 

E a luxúria única de não ter já esperanças? 

Sou inteligente; eis tudo. 

Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, Que a nal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.