Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 15 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

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O ruído do ranger da madeira e dentro da alma...

O avanço velocíssimo é uma coisa que falta.

E se a vida é horizontal, isto dá-se verticalmente

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Entremos na morte com alegria! Caramba

O ter que vestir fato, o ter que lavar o corpo,

O ter que ter razão, semelhanças, maneiras e modos; O ter rins, fígado, pulmões, brônquios, dentes.

Coisas onde há dor e sangue e moléstias

(Merda para isso tudo!)

Estou morto, de tédio também. Eu bato a rir, com a cabeça nos astros Como se desse com ela num arco de brincadeira

Estendido, no carnaval, de um lado ao outro do corredor. Irei vestido de astros; com o sol por chapéu

No grande Carnaval do espaço entre Deus e a vida. Meu corpo é a minha roupa de baixo; que me importa Que o seu caráter de lixo seja terra no jazigo Que aqui ou ali a coma a traça orgânica toda'

Eu sou Eu

Viva eu porque estar morto! Viva!

Eu sou eu.

Que tenho eu com a roupa-cadáver que deixo?

Que tem o cu com as calças?

Então não teremos nós cuecas por esse in nito fora? O quê, o para além dos astros nem me dará outra camisa? Bolas, deve haver lojas nas grandes ruas de Deus. Eu assombroso e desumano,

Indistinto a es nges claras,

Vou embrulhar-me em estrelas

E vou usar o Sol como chapéu de coco

Neste grande carnaval do depois de morrer.

Vou trepar, como uma mosca ou um macaco pelo sólido Do vasto céu arqueado do mundo.