Poesia de Álvaro de Campos
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Heia pra onde, corcel suposto?
Heia pra onde, comboio imaginário?
Heia pra onde, seta, pressa, velocidade
Todas só eu a não tê-las por todos os meus nervos fora. Heia pra onde, se não há onde nem como?
Heia pra onde, se estou sempre onde estou e nunca adiante Nunca adiante, nem sequer atrás,
Mas sempre fatalissimamente no lugar do meu corpo, Humanissimamente no ponto-pensar da minha alma, Sempre o mesmo átomo indivisível da personalidade divina? Heia pra onde ó tristeza de não realizar o que quero? Heia pra onde, para quê, o quê, sem o quê?
Heia, heia, heia, mas ó minha incerteza, pra onde? Não escrever versos, versos, versos, a respeito do ferro, Mas ver, ter, ser o ferro e ser isso os meus versos,
Versos — ferro — versos, círculo material-psíquico-eu. (quando parte o último comboio?)
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A expressão, aborto abandonado
Em qualquer vão-de-escada da realidade
O que é a necessidade de escrever versos senão a vergonha de chorar?... O que é o desejo de fazer arte senão o adultismo pra brinquedos? (Quando é que parte o último comboio, Walt,
Quando é que parte o último comboio?)
Bonecos da minha infância com quem eu imaginava melhor que hoje […]
A química por baixo do Aqui jaz…
A dor, febre que hoje é química só, lá longe na cavada encosta À hora em que era costume ele vir para casa
E o mesmo candeeiro hoje iluminado [.]
E apenas o silêncio já sem nos dizer que o fazem por se terem calado. l
Para saudar-te