Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 275 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Tão Pouco Heráldica a Vida

Tão sem tronos e ouropéis quotidianos!

Tão de si própria oca, tão do sentir-se despida

Afogai-me, ó ruído da ação, no som dos vossos oceanos! Sede abençoados, (...) carros, comboios e trens

Respirar regular de fábricas, motores trementes a atroar Com vossa crónica (...)

Sede abençoados, vós ocultais-me a mim...

Vós ocultais o silêncio real e inteiro da Hora

Vós despis de seu murmúrio o mistério

Aquele que dentro de mim quase grita, quase, quase chora Dorme em vosso embalar férreo,

Levai-me para longe de eu saber que vida é que sinto Enchei de banal e de material o meu ouvido vosso A vida que eu vivo — ó (...) - é a vida que me minto Só tenho aquilo que (...); só quero o que ter não posso.

1914