Poesia de Álvaro de Campos
Capítulo c
Hela hoho, helahoho!
Des lam diante de mim as civilizações guerreiras... Numa marcha triunfal,
Numa longa linha como que pintada em minha alma. Sucessivamente, indeterminadamente,
Couraças, lanças, capacetes brilhando,
Escudos virados para mim,
Viseiras caídas, cotas de malha,
Os prélios, as justas, os combates, as emboscadas.
Archeiros de Crecy e de Azincourt!
Armas de Arras.
E tudo é uma poeira incerta, uma nuvem de gente anónima Que o vento da estratégia levanta em formas diversas, E em ondas sopra entre os meus olhos atentos
E o Sol da verdade eterna, e a encobre sinistramente. Marcha triunfal, onde a um tempo e não a um tempo Onde numa simultaneidade por transparências uns de outros, Surgem, aparecem, aglomeram-se em minha consciência, Os guerreiros de todos os tempos, os soldados de todas as raças, As couraças de todas as origens,
As couraças de todas as origens,
As armas brancas de todas asa forjas
As hostes compostas de usos marciais de todos os exércitos. d
A Guerra!
Des lam diante de mim as civilizações guerreiras... As civilizações de todos os tempos e lugares… Num panorama confuso e lúcido,
Em quadras misturadas e não misturadas, separadas e compactas, mas só quadras Em des le sucessivo e apesar disso ao mesmo tempo, Passam…
Passam e eu, eu que estou estendido na erva E só os carros passam, passam-cessam depois para nós mesmos Vejo-os e o meu espanto nem se sente calmo nem interessado, Nem os vê nem os deixa de ver,