Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 225 de 291

Páginas do PDF

Poesia de Álvaro de Campos

Perdi a Esperança Como uma Carteira Vazia...

PERDI A ESPERANÇA COMO UMA

CARTEIRA VAZIA...

Perdi a esperança como uma carteira vazia… Troçou de mim o Destino; z gas para o outro lado, E a revolta bem podia ser bordada a missanga por minha avó E ser relíquia da sala da casa velha que não tenho. (Jantávamos cedo, num outrora que já me parece de outra incarnação, E depois tomava-se chá nas noites sossegadas que não voltam. Minha infância, meu passado sem adolescência, passaram, Fiquei triste, como se a verdade me tivesse sido dita, Mas nunca mais pude sentir verdade nenhuma exceto sentir o passado)