Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 237 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Que Noite Serena!

Que lindo luar! 

Que linda barquinha 

Bailando no mar! 

Suave, todo o passado - o que foi aqui de Lisboa - me surge... O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,

Sossego de várias espécies,

A infância sem futuro pensado,

O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas, E tudo bom e a horas,

De um bem e de um a-horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que z eu da vida? 

Que noite serena!

Que lindo luar! 

Que linda barquinha 

Bailando no mar!

Quem é que cantava isso?

Isso estava lá.

Lembro-me mas esqueço.

E dói, dói, dói,,,

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.