Poesia de Álvaro de Campos
Ah Abram-Me Outra Realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras, Desta civilização feita com pregos.
Quero viver, como uma bandeira à brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer! Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
Pano brasonado a es nges,
No alto do mastro da visões
Aos quatro ventos do Mistério.
O Norte — o que todos querem
O Sul — o que todos desejam
O Este — de onde tudo vem
O Oeste — aonde tudo nda
— Os quatro ventos do místico ar da civilização — Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo