Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 38 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Ah Abram-Me Outra Realidade!

Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos

E ter visões por almoço.

Quero encontrar as fadas na rua!

Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras, Desta civilização feita com pregos.

Quero viver, como uma bandeira à brisa,

Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer! Depois encerrem-me onde queiram.

Meu coração verdadeiro continuará velando

Pano brasonado a es nges,

No alto do mastro da visões

Aos quatro ventos do Mistério.

O Norte — o que todos querem

O Sul — o que todos desejam

O Este — de onde tudo vem

O Oeste — aonde tudo nda

— Os quatro ventos do místico ar da civilização — Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo