Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 241 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Regresso ao Lar

Há quanto tempo não escrevo um soneto

Mas não importa: escrevo este agora.

Sonetos são infância, e, nesta hora,

A minha infância é só um ponto preto,

Que num imóbil e fútil trajeto

Do comboio que sou me deita fora.

E o soneto é como alguém, que mora

Há dois dias em tudo que projeto.

Graças a Deus, ainda sei que há

Catorze linhas a cumprir iguais

Para a gente saber onde é que está… Mas onde a gente está, ou eu, não sei… Não quero saber mais de nada mais

E berdamerda para o que saberei.