Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 69 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Canção Abrupta

O céu de todos os universos

Cobre em meu ser todo o verão...

Vai p’ra as profundas dos infernos

E deixa em paz meu coração!

Quê? Não me ca se te opões?

Pois leva-o, guarda-o, bem ou mal

Eu tenho muitos corações

E um privilégio intelectual

Madona que vais comprar couves

Não te esqueças de me esquecer

O teu per l dá-me trabalho

Quero □

Bem sei, o teu per l persiste

Amo-te e é triste não poder

Deixar de amar-te sem estar triste...

Se és mulher que em verdade existe

Raios te parta! Vai morrer!

□ espaço deixado em branco pelo autor