O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 7 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 4

Copenhague, Dinamarca

Horas gélidas no distrito Noroeste da cidade.

A chuva batia no teto do carro da polícia produzindo um ruído relaxado, m onótono. As gotas estavam ficando m ais pesadas. Logo aquela chuva que caía sobre Copenhague se cristalizaria e cobriria o solo de neve m acia, pensou Niels Bentzon. Seus dedos trem iam quando ele tentou pegar um dos últim os cigarros do m aço.

Pelos vidros em baçados o m undo à sua volta era com o um im penetrável véu de água, escuro, ilum inado alternadam ente pelos faróis dos carros que passavam . Ele se recostou e olhou para o espaço. Estava com dor de cabeça e agradeceu aos poderes elevados o fato de o chefe da equipe lhe ter pedido para esperar no carro. Niels não se im portava com Dortheavej . Talvez porque aquela área tivesse um a enorm e capacidade de atrair problem as. Ele não se surpreenderia m inim am ente se naquele m om ento não estivesse chovendo no resto de Copenhague.

Niels tentou lem brar quem tinha fixado residência ali inicialm ente. Teria sido a com unidade religiosa islâm ica ou os ocupantes da Casa da Juventude? Os dois grupos foram um convite aberto para criadores de caso. Na força policial todo m undo sabia disso. Se pelo rádio da polícia cham avam de Dortheavej , na região Noroeste da cidade, isso significava m anifestações, um a am eaça de bom ba, incêndio crim inoso ou confusão generalizada.

Niels participara de batidas policiais na velha Casa da Juventude; quase todos os policiais do país j á haviam sido convocados para isso. Ele tinha acabado num a rua lateral onde tentou apaziguar dois hom ens m uito j ovens que agitavam enorm es porretes. Niels se ferira no braço esquerdo e na gaiola torácica. Os dois j ovens eram a im agem do ódio, um a supernova de frustrações dirigida a Niels. Quando ele finalm ente conseguiu im obilizar um deles no chão e lhe colocar algem as, um dos j ovens com eçou a dizer os piores palavrões bem na sua cara. O sotaque era inconfundível. O garoto era do norte de Sj aelland, provavelm ente de Rungsted. Um filho da riqueza.

Naquela noite não eram j ovens irados ou m uçulm anos que o tinham levado para a rua. Era um soldado que retornara e usava contra a própria fam ília a m unição extra trazida.

– Niels!

Niels ignorou as batidas na j anela do carro. Havia fum ado apenas um quarto do cigarro.

– Niels. Está na hora.

Ele deu duas tragadas fundas antes de sair na chuva.

O policial, um j ovem , olhou para ele.

– Tem pinho bom , hein?

– O que é que a gente sabe até agora? – Niels atirou no chão o que restava do cigarro e rum ou para a barreira policial.

– Ele disparou três ou quatro tiros e tem um refém .