O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 77 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 66

Chiesa dei Santi G eremia e Lucia – Veneza

A cham ada do celular aconteceu no exato segundo em que a sirene parou de berrar. Um núm ero com o código de país 45. Da Dinam arca. As pessoas não deviam atender o celular dentro da igrej a, m as Tom m aso j á havia acendido um a vela para a sua m ãe, feito o sinal da cruz e se com portado com o um bom m enino. Na realidade ele tinha acendido duas velas, só por segurança. Velinhas de Natal que se extinguiriam quase instantaneam ente. Ele passou para o corredor lateral para não perturbar ninguém . Em voz baixa, disse:

– Tom m aso di Barbara.

Era a dinam arquesa. Queria saber se ele tinha recebido a m ensagem .

– Oui.

O francês dela tinha um forte sotaque dinam arquês. Mas ela pronunciava cada palavra com cuidado.

– O sistem a funciona com toda a precisão – explicou ela.

– Que coisa incrível!

– Se o núm ero está correto – se estam os falando do núm ero trinta e seis...

Havia m uito ruído na linha. Tom m aso ergueu o olhar para a pintura acim a dele: Jesus estava de pé ali com os braços estendidos. São Tom é, o Incrédulo, espetava o dedo num a das feridas de Cristo, no local onde a lança rom ana havia penetrado no flanco do Salvador.

– Você ainda está aí?

Hannah respondeu:

– Sim , perdão. Ainda vão ocorrer dois assassinatos. O próxim o vai acontecer na sua cidade ou na nossa daqui a algum as horas.

– Você tem certeza?

– Tenho. – Ela respondeu sem hesitação, confiante na sua convicção, que se aj ustava ao lugar onde Tom m aso se encontrava naquele m om ento.

– Mas... – Tom m aso lutou para expressar o seu espanto. No alto, perto do altar, um a caixa de vidro abrigava um a figura vestida de verm elho. Um turista a fotografou. Tom m aso se afastou daquele lugar. – Quando?

– Parece que todos os assassinatos foram com etidos no crepúsculo.

Tom m aso recapitulou m entalm ente a lista de vítim as. Por que ele não havia notado isso? Talvez porque a hora exata da m orte havia sido registrada em apenas alguns assassinatos. Mas m esm o assim . Todo dia nos últim os seis m eses ele tinha passado horas debruçado sobre o caso, e essa m ulher fora capaz de solucionar todo o caso em pouquíssim o tem po.

– Monsieur Di Barbara?

– Oui.

– Estou lhe m andando um texto. Ele contém as coordenadas do local onde o assassinato será com etido.

– O que você quer que eu faça?

Hannah ficou em silêncio durante alguns segundos. Então disse:

– O que você queria que nós fizéssem os quando nos m andou aquelas inform ações sobre o caso?

Tom m aso olhou à sua volta.

Hannah perguntou:

– Quando é que o sol vai se pôr em Veneza?

– Dentro de m uito pouco tem po, acho eu.

– Então você poderia usar o tem po que nos resta para localizar as coordenadas que eu estou lhe m andando. Encontre o local onde o assassinato vai ocorrer. Tente im pedi-lo.

– Sei. Claro. É que a m inha m ãe...

Ele pensou em explicar a situação. Que a sua m ãe tinha m orrido. Ele precisava voltar. As pessoas o desaprovariam por ir em bora logo depois da m orte dela. Mas ele não disse nada.

– O GPS tem um a certa m argem de erro. Mas num raio de alguns m etros deve ser preciso. Agora eu tenho de ir.

 

Luciano estava sentado na escadaria da igrej a. Era um dos poucos m oradores de rua rem anescentes. Em Veneza não os toleravam , por causa dos turistas. Quando Tom m aso era criança, eles eram em núm ero bem m aior. Agora Luciano era praticam ente o único que restava. Por outro lado, toda a vizinhança queria aj udá-lo. Com o se ali ele fosse um bichinho de estim ação.

– Tom m aso. Tem um trocado?

Tom m aso rem exeu nos bolsos.

– Só tenho oitenta centavos.

– Esquece. – Luciano recusou os oitenta centavos com um gesto de m ão e um suspiro indignado. Então Tom m aso achou no bolso de trás um a nota de cinco euros e a entregou ao hom em .

Ao se precipitar pela praça, Tom m aso viu que a água j á havia subido m ais um centím etro. Com exceção de Luciano nos degraus da igrej a, as ruas estavam desertas.

– Feliz Natal – gritou o velho bêbado, e então Tom m aso dobrou a esquina.