O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 101 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 85

Ospedale dell´Angelo – Veneza

O com issário Morante tinha na m ão o celular de Tom m aso.

Pesada. Era exatam ente assim que a responsabilidade parecia. Pesada. Um a responsabilidade que ele havia descuidado. Era com o um caroço nos seus pulm ões, algo que estava reduzindo a sua capacidade de inalar oxigênio. A responsabilidade pode ser pesada com o um peso físico real, refletiu ele antes de Flavio interrom pê-lo dizendo:

– Eu devia ter prestado atenção ao que ele m e disse.

Morante olhou para Flavio, sentado num a das cadeiras de plástico cor-de-rosa do hospital. Estavam am bos à espera de que o m édico os atendesse; queriam lhe fazer algum as perguntas. Um a turista sueca havia encontrado Tom m aso m orto no banheiro m asculino. Segundo lhes contaram , os gritos da turista foram ouvidos em toda a estação.

– Ele disse que nós estávam os correndo perigo. Que alguém corria perigo – explicou Flavio.

– Quando?

– Na estação de trem . Eu achei que ele estava doente. Afinal de contas você tinha dito que ele estava suspenso.

– Eu disse? Então a culpa é m inha? É isso que você está insinuando?

Flavio olhou surpreso para o com issário. Ele nunca ouvira o chefe gritar.

Morante tentou se levantar e ficar em pertigado, parecendo tranquilo apesar da sua explosão. Seria preciso abrir um a investigação, ele sabia disso. Ele seria entrevistado. Por que ele havia suspendido Tom m aso? Ele devia ter prestado m ais atenção ao que o hom em estava dizendo? Os m édicos tinham tentado ressuscitar Tom m aso no banheiro m asculino. E então viram as suas costas. Quando cortaram o paletó para usar o desfibrilador no seu coração eles viram a estranha m arca, que se estendia de um om bro ao outro. A pele estava inchada e com desenhos. Um dos m édicos tinha dito: “As costas dele estavam quentes, com o se estivessem pegando fogo”.

O m édico pôs a cabeça para fora da porta e gritou:

– Venham com igo!

Ninguém j am ais havia falado com o chefe de polícia de Veneza naquele tom de voz. Talvez isso fosse um a antevisão do que o esperava. Rebaixam ento de posto. Hum ilhação. Provavelm ente artigos sarcásticos nos j ornais.

Mesm o num a situação em que um colega havia m orrido, a coisa m ais im portante para a m ente do com issário Morante era o seu próprio status.

 

Necrotério – Veneza

Um a única guirlanda enfeitava a entrada. Era Natal tam bém ali, no dom ínio do m édico legista.

O corpo de Tom m aso di Barbara repousava na gélida m esa de aço, a cabeça levem ente inclinada para um lado. Mas não era apenas um corpo na m esa. Era um corpo decorado.

O com issário se aproxim ou para exam inar as costas de Tom m aso.

– O que é isso?

– Eu estava esperando que o senhor pudesse m e dizer. – O m édico continuou perto da j anela, com um a expressão acusadora no rosto. Com o se toda aquela situação fosse culpa de Morante.

– Com o é que eu posso saber?

O m édico deu de om bros.

– Era disso que o Tom m aso andava falando. – A voz de Flavio era quase inaudível. Ele olhou para o chão e prosseguiu. – Ele falava sobre gente que tinha m orrido com m arcas nas costas. Ficava repetindo isso. O pacote da China. Todos os recortes de j ornal. Nós não acreditam os nele.

O silêncio dom inou a sala de autópsia.

– Qual foi a causa da m orte? – perguntou o com issário.

O m édico deu de om bros.

– Enquanto não m e esclarecerem o que é isso, eu direi que foi assassinato.

– Assassinato?

– Assassinato por veneno. Não sei que outra coisa poderia ter causado isso.

Um a respiração profunda. Flavio tinha se retirado para a outra extrem idade da sala.

– Flavio – cham ou o com issário Morante.

– Sim , senhor?

– Fale com a secretária de Tom m aso. Ela sabe m uita coisa sobre o caso. Tom m aso lhe pedia para traduzir coisas.

– Tudo bem .

– E vam os contatar a Interpol. – Morante olhou para o m édico e depois para Flavio. – É im portante agir rapidam ente. E isso significa: agora.