O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 86 de 137

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O Último Homem Bom

15h19

Maria Deleuran ainda estava no hospital. Niels tinha certeza disso. Por que as colegas dela insistiam em m entir? Ele viu que Hannah estava tentando falar com ele no celular, m as não respondeu. As enferm eiras estavam se levantando e deixando a sala de descanso. Niels esperou até a m atrona m al-hum orada sair. Então seguiu a am iga de Maria, Tove, até o interior do banheiro fem inino.

– O que é que você está fazendo? – Ela olhou zangada para ele enquanto ele fechava rapidam ente a porta atrás de si. – Eu devo com eçar a gritar?

– Você precisa m e contar onde ela está.

– Do que se trata? Por que é tão im portante? Por que é que você não pode sim plesm ente esperar até...

– A vida dela está em perigo – disse Niels interrom pendo-a.

Tove parou para pensar no que ele havia dito.

– Mas por quê? Maria é um anj o. Ninguém iria querer feri-la. Eu sim plesm ente não acredito nisso.

– Confie em m im .

Tove hesitou em lhe contar algo – Niels viu isso no rosto dela. As palavras estavam na ponta da língua dela. Sua expressão era a m esm a do crim inoso m inutos antes de resolver confessar.

– Ela foi em bora. Eu não sei lhe dizer m ais nada.

Tove se afastou resolutam ente da porta. O celular de Niels estava tocando.

– Hannah?

– Sam uel Hviid. Você tem de ir para a Seção 5222. Ele é pesquisador. Tem todas as características do perfil. No m om ento está num a reunião adm inistrativa.

 

A secretária olhou com um a tranquilidade surpreendente para a identificação policial de Niels. Estava acostum ada a ter autoridades passando pela sua m esa: o m inistro da Saúde, altos funcionários do governo e cientistas de toda a Europa. Tinha a responsabilidade de decidir quem poderia ver o diretor do hospital, e não deixava qualquer um entrar.

– O professor Hviid está em reunião com a diretoria. O senhor não pode esperar?

– Não, não posso.

– Posso saber do que se trata?

– Preciso falar com Sam uel Hviid. Agora.

Ela se levantou num a lentidão vergonhosa. Neste país as pessoas fazem os policiais se sentirem com o se fossem m ais um aborrecim ento que um a aj uda, pensou Niels. Por outro lado a secretária tratava os diretores do hospital com o se eles fossem o oráculo de Delfos. Ela bateu cuidadosam ente na porta e depois entrou, parecendo tím ida e curvando-se de m odo subm isso. Na tela da televisão atrás da secretária Niels viu as m esm as im agens que Hannah havia visto. A conferência sobre o clim a estava nos seus últim os estágios e um dos delegados m ais im portantes tinha desm aiado subitam ente. Sangue escorria da sua cabeça e ele ofegava com o um peixe agonizante que tivesse sido retirado do seu hábitat. A im prensa do m undo inteiro estava ali, registrando a cena.

A secretária ainda estava falando com os diretores. As paredes da sala de reuniões do hospital eram de vidro. Transparência total, parecendo sublinhar que nenhum a decisão obscura j am ais era tom ada ali. Niels olhou para as pessoas que estavam na sala. Elas o olharam , por sua vez. Ele não ouvia o que elas diziam . O silêncio só era quebrado pelo débil som da televisão: Não sabemos se ele só está se sentindo mal... ou se seu estado é mais sério. Talvez um acesso. Já está a caminho uma ambulância.

A secretária voltou.

– Tudo bem . Ele virá num m inuto.

– Bom .

Sam uel Hviid levantou a calça e pigarreou ao passar pela porta. As outras pessoas que estavam na sala tentaram dissim ular sua curiosidade.

– Sam uel Hviid? – perguntou Niels.

– Em que posso aj udá-lo?

– Sou Niels Bentzon. Da polícia de Copenhague.

O celular de Niels soou. Um a m ensagem de texto de Hannah: Temos mais um. Gry Libak.

– Do que se trata? – O professor olhou para Niels com olhos bondosos, inteligentes.

O sol ia se pôr dentro de poucos m inutos. Niels estava vendo o céu rosado através das grandes j anelas panorâm icas da sala da adm inistração.

– Tem os m otivos para acreditar que a sua vida está em perigo.

A expressão de Hviid não m udou.

– Preciso lhe pedir que saia do hospital. Som ente durante a próxim a m eia hora.

– Sair do hospital? Por quê?

– No m om ento eu não posso lhe dizer. Só posso lhe dizer que não é seguro o senhor perm anecer aqui.

Hviid balançou a cabeça e em seguida olhou por sobre o om bro.

– Eu m e recuso a m e esconder. Esse caso j á tem quase vinte anos de idade. – Ele olhou para Niels. Havia um a som bra de angústia nos seus olhos?

– É som ente por m eia hora. Nem m esm o isso.

– E depois?

– Depois a situação estará sob controle.

– Não. É a m inha vida e eu tenho de aprender a viver com isso. Se toda vez fugir com o rabo entre as pernas eu não aprendo. Quando foi que ele fugiu?

Niels não tinha a m enor ideia do que dizer.

– Não posso m e perm itir lhe dar essa inform ação.

– Não pode se perm itir? Ora! Eu sou m édico. Nós com etem os erros. O hom em tem m e am eaçado durante m etade da m inha vida por causa de algo em que eu não tive responsabilidade. Eu era um m édico j ovem e fui por acaso o últim o a estar em contato com a m ulher dele antes da sua m orte trágica. Adm inistrar a m edicação – é isso que fazem todos os anestesiologistas. Essas coisas acontecem .

Sam uel Hviid olhou para trás, para os diretores que estavam na sala de reuniões. Niels sabia o que o hom em estava pensando: ele havia feito um a longa j ornada e ninguém ia destruir o que j á conquistara. Os diretores sentados atrás do vidro grosso não sabiam nada sobre aquilo. Se ele deixasse a reunião naquele m om ento as pessoas iam com eçar a im aginar.

Mas chegara outro texto de Hannah. Esqueça o Hviid. Concentre-se no Gry Libak. Departamento C. Temos só mais alguns minutos.