O Último Homem Bom
Capítulo 7
Aeroporto de Charleroi – Bruxelas, Bélgica
Minha vingança será a m inha redenção.
Essa ideia era claríssim a na cabeça de Abdul Hadi quando ele olhou com um ar de desprezo para o segurança. Se eu realm ente quisesse sequestrar um avião não seria o seu ridículo controle que m e im pediria.
Mas não era tão sim ples. Ele não queria sequestrar um avião e atirá-lo contra a sede da ONU. Não haveria im agens na televisão dos parentes dos passageiros gritando e chorando quando a com panhia aérea divulgasse o nom e das vítim as. Essa vingança seria diferente; seria um a vingança j usta.
O segurança lhe dirigiu um olhar aborrecido. Abdul Hadi tinha obviam ente entendido a sua pergunta j á da prim eira vez, m as fazê-lo repetir seu pedido absurdo lhe dava um a sensação de poder.
– O senhor pode tirar os sapatos, por favor? – O segurança elevou a voz.
Abdul Hadi olhou para os ocidentais que tinham passado pela segurança do aeroporto sem tirar os sapatos. Balançou a cabeça e voltou a atravessar a estranha porta desacom panhada de parede que apitava quando a pessoa tinha m oedas no bolso. Ele tirou os sapatos, calm a e presunçosam ente, e colocou-os num a caixa plástica. Talvez eles achem que eu estou escondendo um a faca no m eu sapato, com o Moham ed Atta, pensou ele antes de transpor novam ente a porta. Um segundo segurança o cham ou. Dessa vez foi a sua bagagem de m ão que subm eteram a um tratam ento diferente. E com m uita desconfiança. Abdul Hadi olhou para o aeroporto enquanto eles rem exiam na sua frasqueira de toalete. O que viram foi chocolate e Tintin. Ele não sabia grande coisa sobre a Bélgica, m as agora sabia que o país era fam oso por essas duas coisas. Além disso lhe ocorreu que duas belgas de m eia-idade tinham sido m ortas no ano anterior em Wadi Dawan. Alguns rebeldes de Alá tinham atacado um grupo de ocidentais e as duas m ulheres m orreram . Abdul Hadi balançou a cabeça. Ele nunca passearia no deserto de Wadi Dawan sem proteção.
No alto da free shop havia um m apa-m úndi suspenso. Abdul Hadi o estudou enquanto abriam os bolsos laterais da sua sacola e tiravam as baterias do barbeador. O terror tinha criado um novo m apa, pensou ele. Nova York era a capital. Mum bai tam bém havia adquirido um a nova im portância, j unto com Madri e o m etrô de Londres. Charm el Cheik, Tel Aviv e Jerusalém . Seu povo tinha pego um a brocha e estava com eçando a pintar o m undo de verm elho. Estava em m eio ao processo de criar um novo m apa do m undo em que as pessoas não pensavam m ais em castanholas quando se falava em Madri ou na Estátua da Liberdade quando a conversa passava para Nova York. Em vez disso elas pensavam em horrores.
Um segurança diferente chegou para se reunir aos outros que estavam curvados sobre a sua sacola. Seria o chefe dos outros? Sem erguer os olhos do conteúdo da sacola, o hom em perguntava em inglês: