O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 52 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 43

A Torre Redonda – Copenhague

Abdul Hadi ficou na extrem idade do estranho prédio. Com o ele tinha ido parar ali? Os policiais dinam arqueses estavam tendo um a discussão do outro lado da cerca. Um deles apontava um a arm a para o hom em .

Eles estavam m urm urando algo, m as Hadi não entendia nada da conversa. Ele reuniu toda a sua coragem . Teria de acabar ali, em bora sem realizar a j ustiça que buscara. Por que Alá o abandonara? O policial que havia tido m ais de um a oportunidade de atirar nele estava agora subindo na cerca e se aproxim ava. Parecia tão acabado quanto ele próprio. O policial estava sorrindo?

– Vou pular – disse Abdul Hadi.

O policial dinam arquês levantou as duas m ãos para que Hadi pudesse vê-las.

– Não estou arm ado.

Hadi olhou para a rua lá em baixo. Tinha perdido o desej o de levar alguém para a m orte j unto com ele. Norm alm ente ele não teria se im portado, m as vistas daquela altura todas as pessoas pareciam tão inocentes. Se chegasse um pouco para a esquerda antes de saltar, ele não m achucaria ninguém .

– Um a pergunta! – disse o policial.

Abdul Hadi olhou para ele.

– O senhor tem fam ília?

– Eu fiz isso pela m inha fam ília.

Sem entender, o policial continuou olhando para ele.

– Tem alguém para quem você gostaria de ligar? – indagou ele. – Lem bre-se: eu sou a últim a pessoa que vai estar com você vivo.

Abdul Hadi se m oveu, afastando-se do policial. “Por que ele está m e fazendo essas perguntas estranhas?”, pensou.

– Seu últim o recado. Qual é?

Um últim o recado? Abdul Hadi parou para pensar. “Sinto m uito” foi o que lhe ocorreu. Ele queria se desculpar com a irm ã. Porque não lhe perm itiram crescer. Porque ele tinha vivido todos aqueles anos. Isso parecia m uito inj usto. E queria se desculpar tam bém com o irm ão m ais velho. Porque não fora capaz de se vingar da m orte dele. Seu irm ão só tinha querido buscar um a vida m elhor. Não havia feito nada errado. Assim com o a sua irm ã. Ela tam bém era inocente. Ele via o rosto dela com toda a clareza. Seu irm ão e sua irm ã estavam prontos para recebê-lo. Ele tinha certeza disso. E esperava ansiosam ente vê-los de novo.

O policial se aproxim ou. Estava sussurrando para Hadi.

– Eu não vou fechar os olhos. Você está m e ouvindo? – O policial estendeu a m ão na direção dele. – Eu sou a sua últim a testem unha.

Era nesse m om ento que Abdul Hadi devia saltar. Agora, exatam ente. Ele olhou para cim a, para o Criador, para os seus fam iliares m ortos que estavam prontos à espera. Parecia que o céu j á estava abaixando na direção dele. Então o céu se abriu e a neve com eçou a cair, prim eiro no soldado dinam arquês, depois em Hadi, e depois continuou até a rua, lá em baixo. Milhões de pedacinhos m inúsculos de céu branco, dançando em círculos. As pessoas na rua olhavam para cim a, e as crianças se regozij avam . Abdul Hadi ouviu o suave clique das algem as que se fechavam firm em ente em torno dos seus pulsos.