O Último Homem Bom
Capítulo 35
A sinagoga – Copenhague
Niels se pôs de pé. Foi um m om ento constrangedor, pois Weizm an perm aneceu sentado. Finalm ente o rabino tam bém se levantou.
– Os trinta e seis têm características especiais? Qualquer coisa que os ligaria uns aos outros?
– Som ente a j ustiça. Ou bondade, com o o senhor diz. Não é suficiente?
Niels hesitou. Não totalm ente.
– O senhor pode m e dizer nom es de pessoas que foram m encionadas com o um dos trinta e seis?
Weizm an deu de om bros.
– O tem a surge m uitas vezes nos enterros. Sem pre que há necessidade de um necrológio para alguém que teve um a im portância particular para m uitas pessoas.
– E se o senhor precisasse m encionar algum ?
– Não sei. Não estou certo de que a m inha suposição seria m elhor que a sua. Mas com o j udeus nós frequentem ente nos voltam os para a Segunda Guerra Mundial à procura de exem plos. Oscar Schindler. Os com batentes da resistência nos países ocupados. Os indivíduos que im pediram a total dizim ação do povo j udeu. Porém , com o eu disse, a sua suposição é tão boa quanto a m inha.
Entraram dois hom ens vestidos de preto e com chapéu, cum prim entando Weizm an.
– Tenho um a reunião daqui a alguns m inutos. Eu pude aj udá-lo?
– Um pouco. Obrigado por conversar com igo.
O rabino acom panhou Niels até a porta e trocou com ele um aperto de m ãos.
– Agora a sua distância em relação ao Hitler é de apenas dois apertos de m ão – disse o rabino segurando a m ão de Niels.
– Não estou entendendo.
– Num a conferência na Alem anha eu certa vez entrevistei um oficial que trabalhara para o Hitler. Quando apertei a m ão dele, eu pensei: Agora a m inha distância em relação ao Hitler é de apenas um aperto de m ão. Assim , a sua distância em relação ao m al é de apenas dois apertos de m ão, Niels Bentzon.
A m ão de Niels estava com eçando a ficar quente com o aperto da do rabino.
– Talvez com a bondade sej a a m esm a coisa. Nós nunca estam os longe do que é bom . E isso é inspirador. Pense no Nelson Mandela. Um hom em que m udou um m undo inteiro. Com o Gandhi. Ou o seu Jesus. – O rabino sorriu. – Dizem que na África do Sul todo m undo j á esteve com o Mandela ou conhece alguém que j á esteve. Ninguém está a m ais de um aperto de m ão do ex-presidente. Parece que não é um a ideia tão forçada a de que precisam os de apenas trinta e seis pessoas para m anter o m al encurralado. Lem bre-se apenas de que todas as revoltas da história m undial, tanto as boas quanto as m ás, foram iniciadas por indivíduos.
Ele soltou a m ão de Niels.
A luz era penetrante; o frio, insistente. Pelo m enos Niels tinha a im pressão de estar de volta ao seu m undo. Ele não sabia o que fazer com as m ãos. Ainda tinha consigo a im agem de Hitler. Meteu as m ãos nos bolsos enquanto olhava para trás e via a sinagoga. Sentiu um a leve vibração através do forro do paletó – o celular. Quando o pegou, viu que o pastor Rosenberg havia tentado falar com ele seis vezes.
– É Bentzon, retornando a sua ligação!
– Sim , Bentzon, aqui é o Rosenberg! – Ele parecia sem fôlego. – Acho que tem um hom em aqui, tentando entrar à força.
– O senhor está na igrej a?
– Estou. Me tranquei no escritório. Mas a porta tem um painel de vidro.
– O senhor tem certeza de que alguém está aí dentro?
– Acho que ouvi alguém chutar a porta da frente.
– O senhor ligou para a em ergência 112?
Ruído na linha. Talvez ele tivesse desligado.
– Rosenberg?
O pastor estava de volta, sussurrando:
– Estou ouvindo ele.
– Fique onde o senhor está. Posso chegar aí em ...
Niels olhou para a rua. Trânsito parado. Ele pensou em ligar pedindo aj uda, m as m udou de ideia. Cada segundo im portava. Então saiu correndo.
– Em três m inutos eu chego aí.