O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 51 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 42

Irm ã Magdalena olhou para o corredor do hospital antes de calçar as luvas. Paz e silêncio. Nenhum dos doentes term inais estava gem endo. Mas ela sem pre se sentia culpada quando precisava sair; m uitas vezes as outras enferm eiras praticam ente precisavam em purrá-la para fora do prédio. Hoj e não era diferente. Pelo contrário, hoj e era pior. Ela resolveu pôr a cabeça no quarto da signora Di Barbara um a últim a vez antes de sair.

A m ãe de Tom m aso ergueu o olhar assim que Magdalena entrou no quarto.

– Você vai sair, irm ã?

Magdalena lhe dirigiu um sorriso tranquilizador, depôs no chão a sua bolsa e descalçou as luvas.

– É a m inha folga. Mas eu não tenho pressa.

– Estou com tanto m edo.

– Não tenha m edo. A m orte é apenas o fim da vida terrena.

– Não é m edo da m orte. Eu não tenho m edo de m orrer – disse ela contrariada.

Não era fácil sentir afeto por um a m ulher com o a signora Di Barbara. Ao longo do tem po Magdalena tinha aprendido, m as um a pausa de um dia de vez em quando facilitava as coisas.

– Do que a senhora tem m edo?

– De que ele não receba o recado. Ou que se esqueça da m inha recom endação.

– O recado? Sobre os oitenta centavos?

– É.

– E a senhora ainda não sabe para o que ele vai usar os oitenta centavos?

A signora Di Barbara não ouviu a pergunta.

– A m inha bolsa está aqui?

– Está, olhe aqui.

– Pegue a carteira. Ponha oitenta centavos na m inha m ão. Assim eu sei que vou m e lem brar de falar com ele.

Magdalena pegou o dinheiro. As m oedas não totalizavam oitenta centavos, então ela acrescentou um a da sua carteira.

– Pronto.

Ela pôs as m oedas na m ão da m ulher. Os nós dos dedos da velha se fecharam firm em ente em torno das três m oedas.

– Quando o m eu filho vier m e ver, hoj e à noite, eu vou m e lem brar. Ele vem hoj e?

– Não sei. Pode ser que ele tenha de trabalhar.

– O turno da noite? Bom , então ele vem am anhã de m anhã. Pelo m enos agora eu tenho as m oedas, assim não vou m e esquecer.

– Eu tam bém vou m e lem brar – disse Magdalena afagando o cabelo grisalho e fino da m ulher. – Prom eto.

Durante um m om ento a signora Di Barbara pareceu contente. Magdalena estava convencida de que a velha ainda teria algum as sem anas de vida. A m aioria dos pacientes que estavam ali esperava para m orrer depois das festas de fim de ano – ela não sabia por quê. Talvez eles quisessem ter um últim o Natal.

A irm ã Magdalena apagou a luz. A signora Di Barbara pôs a m ão no peito, apertando as m oedas.