O Último Homem Bom
Capítulo 34
Helsingør – Dinamarca
Hannah tentou atirar na lixeira o m aço de cigarros vazio, m as não acertou: ele caiu no chão. Ela não se levantou; continuou olhando para o m apa e as páginas de anotações que fizera. Não viu nada que indicasse um a ligação entre as várias cenas de crim e. Diversas áreas do m apa tinham sido ignoradas, ao passo que no Oriente Médio, por exem plo, os assassinatos haviam sido com etidos em Meca, Babilônia e Tel Aviv. Por um m om ento ela lam entou ter se envolvido em tudo aquilo. Talvez fosse m elhor telefonar para Niels e lhe dizer que estava desistindo. O caso não tinha nada a ver com ela, afinal de contas. Mas não telefonou. Inicialm ente ela achou que fosse o sistem a. Ela sabia que tinha de haver algum tipo de sistem a em ação. Era preciso apenas encontrá-lo. E os sistem as sem pre a tinham atraído. Ela gostava de procurar a chave.
Se pelo m enos tivesse m ais cigarros. Se pelo m enos ela tivesse...
Eles não têm filhos. Ela interrom peu a própria linha de pensam ento. Nenhum a das vítim as tinha filhos. Outras sem elhanças? Ela folheou as anotações. Religião? Não. Havia cristãos, j udeus, m uçulm anos, budistas, ateus e até um m inistro batista de Chicago. Cor da pele? Não. Idade? Ela hesitou. Podia ser. Dificilm ente seria algo decisivo, m as naquele m om ento até os pequenos passos à frente eram úteis. Todas as vítim as tinham entre quarenta e quatro e cinquenta anos. Coincidência? Talvez. O que não tornava a coisa m enos interessante. Os anos de experiência de Hannah com o cientista lhe haviam ensinado que algo que à prim eira vista às vezes parece coincidência podia no final das contas não o ser. Vinte e um a vítim as de assassinato. Todas com quarenta e quatro a cinquenta anos. E sem filhos. Isso tinha de ser significativo.
Hannah com eçou a pôr todos os m ateriais num a caixa. As páginas de fax, as anotações que ela fizera, o m apa. Em bora o seu plano de sair de carro tivesse sido originado pelo desej o de com prar cigarros, ela resolveu levar tudo consigo. Tentou contatar Niels para lhe dizer aonde estava indo, m as ele não atendeu.
Estava frio quando ela deixou a casa de cam po, m as o ar gelado era revigorante. Hannah saía m uito raram ente. Às vezes se passavam sem anas em que ela só andava o curto traj eto até a água ou até o superm ercado Netto. O resto do tem po ela ficava dentro de casa e... o quê? Ela não sabia. Aquela era quase a pior parte: dar-se conta de que havia dias, tantos dias, em que ao ir para a cam a à noite ela era incapaz de dizer, m esm o que fosse com apenas um a palavra, com o havia passado o dia. Talvez tenha sido o reconhecim ento desse fato que lhe fez parecer um a pequena revolução o sim ples ato de dar partida no carro e dirigir pelo cam inho de cascalho rum o à estrada.