O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 136 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 20

Segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Enquanto fazia a m ala no hospital, Niels sentia a m udança no seu corpo. A dor nas costas desaparecera, m as além disso ele estava andando com m ais facilidade. Algo dentro dele havia m udado. Norm alm ente o sim ples ato de fazer a m ala o fazia reviver tão intensam ente as suas viagens que a ansiedade se instalava no seu corpo, preparando-se para derrotá-lo, com o um adversário invencível.

Dessa vez foi diferente. Ele estava absolutam ente calm o ao pôr cuidadosam ente dentro da m ala as suas roupas. Com a identidade de policial e a arm a por cim a de tudo. Não sentiu nenhum a apreensão ao fechar a m ala.

– Você está indo para casa hoj e? – A enferm eira trocava a roupa de cam a.

– Estou. Já é hora. Estou engordando, com toda essa com ida gostosa. – Ele acariciou o estôm ago.

– Que bom que você está se sentindo bem m elhor.

– Obrigado pela aj uda. – Ele estendeu a m ão, m as, para sua surpresa, a enferm eira lhe deu um abraço.

– Boa sorte para você em tudo, Niels. – Ela quase pareceu triste, com o se fosse perdê-lo. Mas estava sorrindo.

 

Hannah não receberia alta nos próxim os dias. Quando Niels foi ao quarto dela para se despedir, levou-lhe um buquê de flores. Não encontrou um vaso.

– Ponha aqui – disse Hannah alisando as cobertas. – São encantadoras. Que flores são essas?

Niels encolheu os om bros.

– Não entendo nada de flores.

– Houve um a época em que eu sonhava em fazer um belo j ardim na casa de verão. Colocar nele todos os tipos de plantas e, bom ... você sabe.

Ele a beij ou na boca. Um beij o rápido. Os lábios dela, quentes, m acios. Pode ser que ele tenha sido um pouco desaj eitado, m as o beij o funcionou – seu efeito se fez sentir bem no íntim o dele.

Niels entregou a Hannah um presente, em brulhado num j ornal.

– O que é isso? – disse Hannah ainda verm elha por causa do beij o.

– Abra.

Ela rasgou o papel com um a alegria pueril. Mas sua expressão m udou quando ela viu o que havia dentro: o pente de balas do revólver.

– Não se preocupe. Eu tirei as balas.

Ela pegou o pente, suspirando enquanto o virava de um lado para outro.

– Eu estava convencida de que tinha de m orrer – disse ela. – De que o m elhor para m im era m orrer.

– Quando foi que você m udou de ideia?

Ela ergueu o olhar para ele.

– E sabe o que m ais? Eu não m udei de ideia. Nem m esm o tenho certeza de ter tirado o pente. Ou se...

Ela não concluiu o que estava pensando.

– Vou acom panhar você até a porta – disse ela.

 

Nos últim os dias eles tinham falado sobre aquilo m uitas vezes. Sobre o que realm ente havia acontecido lá na cobertura. Toda vez que Niels lhe perguntara quem tinha feito aquilo, Hannah o corrigia.

– Não é quem e sim o que, Niels. O que foi que fez aquilo?

Niels não sabia responder.

 

Um longo corredor branco. Um enxam e de m édicos, enferm eiras, pacientes e fam iliares. Um som se sobrepuj ava aos dem ais: o choro de um a criança. Niels parou e olhou em torno de si. Um a j ovem m ãe, que parecia cansada m as feliz, estava com seu bebê nos braços. Vinha na direção de Niels e Hannah. Ele virou a cabeça para olhar a nova criaturinha enquanto a m ulher passava. Talvez tenha sido por isso que esbarrou num a enferm eira.

– Perdão.

Ela j á ia prosseguir, m as foi segurada por Niels.

– Posso lhe perguntar um a coisa?

Ela se virou para olhá-lo.

– Com o posso saber se nasceu um bebê na sexta-feira passada na hora do crepúsculo?

A enferm eira pensou na pergunta.

– Você precisa ir até a ala da m aternidade.

– Obrigado.

Hannah cutucou o braço dele.

– O quê? – indagou ele.

– Niels, isso não é m eio absurdo?

– Por quê? Você não acha que o bastão foi passado?

 

Niels bateu educadam ente, e não tendo obtido resposta entrou no quarto. Hannah ficou do lado de fora.

Flores, caixas de chocolate, ursinhos e roupas de bebê. A m ãe estava deitada na cam a, cochilando com o recém -nascido nos braços. O j ovem pai dorm ia sentado num a cadeira. Eles correspondiam perfeitam ente à descrição feita por Leon do casal que chegara na perua escura. A m ãe olhou para cim a.

– Parabéns – disse Niels. Foi a prim eira palavra que lhe ocorreu.

– Obrigada. – Ela lhe dirigiu um olhar aturdido, tentando situá-lo. – Nós nos conhecem os?

Niels encolheu os om bros e olhou para o bebê, que estava se espreguiçando.

– É m enino?

– É. – Ela sorriu. – Um m enininho im paciente. Chegou um m ês antes da data.

– Você vai m e prom eter um a coisa?

Ela olhou para ele surpresa.

– Quando ele crescer, se tiver problem as com viagens, você m e prom ete que não vai ficar brava com ele?

– Eu acho que não estou entendendo o que você está querendo dizer.

– Me prom eta. Só isso.

E Niels saiu do quarto.