O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 57 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 48

Nørrebrogade – Copenhague

A loj a que vendia rádios não parecia grande coisa, esprem ida entre um a pizzaria e um brechó. Oito televisores em pilhados um sobre o outro transm itiam inform ações do Bella Center: o m undo está prestes a afundar. Este é o últim o apelo. Niels pôs sobre o balcão a fita cassete com os caracteres chineses no rótulo e tentou cham ar a atenção do adolescente letárgico.

– O que é isso? – indagou o funcionário.

– É um a fita cassete. Estou procurando um aparelho para poder ouvi-la. Você tem ?

– Não faço a m enor ideia.

Niels olhou para ele. Esperando. Nada aconteceu, e então ele desistiu.

– Você pode procurar para m im ?

– Já vai. – O adolescente se voltou e gritou:

– Pai! – A voz dele, prestes a m udar, feriu os ouvidos de Niels e o fez pensar nos filhos que ele não teve. Eles estariam m ais ou m enos com a m esm a idade daquele rapazinho, se Kathrine tivesse engravidado quando o casal com eçou a tentar – um processo vão que se estendeu por anos.

Um hom em de m eia-idade com o cabelo m uito em plastrado apareceu nos fundos da loj a.

– Fala! – disse ele num tom irritado.

– Um aparelho que toque fita cassete. Eu estou procurando um aparelho para ouvir isto.

O hom em olhou para a fita, deu um risinho e desapareceu nos fundos da loj a. Niels se afastou um pouco para atender o seu celular.

– Alô!

– Eu acho que encontrei a coisa, Niels.

– O que foi que você encontrou?

– O sistem a. É tão lindo, Niels. Tão incrivelm ente lindo. Quer dizer, se...

– Com ece do com eço, Hannah. Eu estou um pouco cansado.

– Mais tarde eu explico tudo. Mas preste atenção nisto: eu sei onde os outros assassinatos aconteceram . Todos eles.

– Os outros assassinatos?

– É! Com base na teoria de que é um a cadeia ininterrupta de eventos – o últim o núm ero que nós tem os é trinta e quatro. Um total de vinte e um foi encontrado. Assim , faltam treze assassinatos, m as eu sei onde tem os de procurá-los. Um em Santiago, um em Hanói, um em Belém , um na Cidade do Cabo, um em Nuuk...

Niels a interrom peu.

– Espere aí. Eu não tenho a m enor condição de conferir todos esses casos. O que, exatam ente, você quer que eu faça?

Nenhum deles falou por um bom tem po.

Então Niels perguntou:

– Você disse Cidade do Cabo?

– O que eu estou dizendo é que... Não: o sistema diz que o assassinato núm ero catorze foi com etido na sexta-feira, dia 24 de j ulho, na hora do crepúsculo em Khay elitsha, um subúrbio da Cidade do Cabo. Posso lhe rem eter a latitude e a longitude exatas.

– Faça isso. – Niels foi interrom pido pelo proprietário da loj a, que soltou no balcão um velho toca-fitas.