O Último Homem Bom
Capítulo 10
Silo de Carlsberg – Copenhague
Q uarta-feira, 16 de dezembro
Niels Bentzon acordou tarde, sentindo-se tudo m enos descansado. Na verdade ele devia ligar dizendo que não estava bem . Tinha direito a um dia de folga, depois daquela noite. Mas quinze m inutos depois estava sentado no carro, com o cabelo m olhado, um copo de café em um a das m ãos e no pescoço um a gravata com um nó que teria sido m ais bem feito por um adolescente.
Chefatura de polícia – Copenhague
Niels quase não podia ver a sede atrás do paredão de ônibus verdes que estavam sendo usados pelos integrantes da força policial. Policiais de toda a Dinam arca tinham sido recrutados para a conferência sobre clim a. Dentro de poucos dias o Air Force One aterrissaria em solo dinam arquês. O tio de Niels j á havia ligado para perguntar se ele ia encontrar “o hom em ”. Protegê-lo. Mas Niels precisou desapontar seu velho tio.
– Obam a está trazendo o seu próprio exército de guarda-costas – explicou ele. – E a sua própria lim usine e a sua própria com ida, um barbeiro e um a pastinha onde ficam os códigos do arsenal nuclear dos Estados Unidos. – Mais tarde Niels j á não sabia se acreditava na parte das arm as nucleares. Tinha a im pressão de que desapontaria ainda m ais o seu tio se lhe falasse sinceram ente a verdade: que as únicas pessoas que ele ia encontrar seriam os m anifestantes raivosos diante do Bella Center.
Niels abriu cam inho pela m ultidão de policiais do interior que tinham ido para a cidade grande. Eles pareciam estar num a excursão escolar. Rindo. Claram ente esperando ansiosos por um a m udança na sua rotina diária. Naquele dia eles não precisariam em itir recibos em estradas secundárias de Jutland do Norte ou separar brigas de pescadores no salão da aldeia de Thy borøn. Logo estariam cara a cara com o Movim ento Ataque, várias organizações am bientais e clim áticas e um feio conglom erado de talentosíssim os ativistas de esquerda e filhos desprezados que se denom inavam anarquistas e transpiravam raiva.
– Bom dia, Bentzon!
Antes que pudesse se virar, recebeu um sonoro tapa m asculino nas costas.
– Leon. Dorm iu bem ?
– Com o um a pedra. – Ele exam inou Bentzon. – Você, por outro lado, parece ligeiram ente cansado.
– A gente leva algum as horas para ficar bem .
– Não eu. – Leon sorriu.
Um pensam ento se instalou na cabeça de Niels e se recusava a sair: eu não gosto de você. Era sim plesm ente isso. Niels não gostava de Leon. Ele achava detestável um hom em que podia ir para casa e dorm ir com o um bebê depois de ter passado a noite na com panhia de um cadáver e duas crianças em ocionalm ente em frangalhos.
Por sorte Anni os interrom peu.
– Som m ersted está querendo falar com você.
– Som m ersted? – repetiu Niels olhando para Anni.
A secretária de Leon assentiu com a cabeça. Talvez houvesse nos seus olhos um a insinuação de solidariedade.
Um a reunião particular com W. H. Som m ersted, o chefe da polícia, era algo que acontecia com m uito poucos policiais. De acordo com a lenda popular da chefatura de polícia, ninguém j am ais tivera durante toda a sua carreira m ais de três reuniões particulares na sala de Som m ersted: quando recebia a prim eira advertência, quando recebia a segunda advertência e quando tinha vinte m inutos para reunir seus pertences e ir em bora. Dessas três, Niels j á havia tido duas. Duas advertências.
– Logo que puder – acrescentou Anni, dando a Leon um sorriso agradável.
Niels a puxou de lado até a m áquina de café.
– Eu sou o único que ele quer ver?
– Foi a secretária dele que pediu. Ela m e m andou falar com você quando você chegasse. Por quê? Está havendo algum problem a?
No vidro da porta que levava à sala externa estava escrito w. h. som m ersted. Ninguém sabia o que era o “H”. Talvez fosse só porque assim ficava m elhor.
Som m ersted estava ao telefone. Seu grande m axilar não se m exia quando ele falava. Niels achava que ele daria um ventríloquo perfeito.
– Mande um fax im ediatam ente. – Ele se levantou e foi até a j anela olhar para fora enquanto continuava falando. No cam inho dirigiu a Niels um olhar que não revelou o m enor sinal de reconhecim ento. Niels tentou relaxar, m as isso era difícil. Que ele vá para o inferno se m e despedir, pensou Niels. Ele tentava im aginar o que faria com o tem po. Sua m ente se esvaziou. Ele só podia se ver vestido com o roupão e estendido no sofá. Iria se afundar na depressão. Chafurdar nela. Descer até o fundo.
– Bentzon! – Som m ersted tinha term inado a ligação e j ovialm ente estendia a m ão. – Sente-se. Com o estão as coisas?
– Bem , obrigado.
– Aqui é a sede do inferno.
– Eu im agino.
– O Air Force One vai aterrissar daqui a pouco. Copenhague está pululando de VIPs internacionais. E a equipe de inteligência vê terroristas por toda parte. Pessoalm ente, acho que estam os com o nervosism o do anfitrião. Vai dar tudo certo. – Som m ersted pigarreou. Respirou profundam ente e de repente pareceu se lem brar do porquê de Niels estar sentado diante dele. – Que bom que você voltou, Bentzon. – Tirou os óculos e os pôs na m esa. – Soube que você teve de tirar a roupa. Eles estão ficando cada vez m ais espertos.
– Ela vai sobreviver?
– A m enina? Vai, vai ficar bem . – Som m ersted balançou a cabeça solenem ente. Suas sobrancelhas revoltas se aproxim aram um m ilím etro quando ele assum iu um a expressão preocupada. Muito convincente, m as Niels não acreditava nela. Som m ersted era um com unicador hábil. Cinco anos antes havia feito o curso de m ídia que Niels não aceitara frequentar. Hoj e um chefe de polícia precisa ser um a com binação de anfitrião de talk-show, político e adm inistrador de pessoal.
– Você é bom na conversa com as pessoas, Niels.
– Você acha? – respondeu Niels em tom de dúvida, sabendo que Som m ersted tinha apenas preparado um a arm adilha para ele.
– De verdade.
– Bom , então obrigado.
A arm adilha se fechou.
– Talvez um pouco dem ais? – O olhar de Som m ersted se tornou m ais penetrante.
– É um a pergunta?
– Miroslav Stanic, nosso am igo sérvio. Você se lem bra dele?
Contrafeito, Niels m udou de posição. Então lam entou ter feito isso, porque sabia que Som m ersted havia notado.
– Eu soube que você o visitou na prisão. Foi por um acordo antigo?
– Foi por isso que você quis m e ver?
– Esse hom em é um psicopata.
Niels respirou fundo e olhou pela j anela. Não se im portava com silêncios constrangedores. Em bora fosse óbvio que Som m ersted estava esperando um a resposta, ele procurou se lem brar do que sabia sobre Miroslav Stanic.
Tinha sido sete ou oito anos antes. Suspeito de ser crim inoso de guerra na Bósnia, o sérvio devia ser entregue a Haia. Inexplicavelm ente, acabou parando na Dinam arca e obtendo asilo por razões hum anitárias. O erro ficou logo evidente para as autoridades dinam arquesas. Stanic não era um pobre sérvio perseguido e sim um ex-guarda do infam e cam po de prisioneiros de Om arska. Agora ele estava recebendo diariam ente três refeições saudáveis, balanceadas, gratuitas, do Restaurante Dinam arca. Mas quando estava prestes a ser entregue à polícia, ele se tornou incontrolável. Fez reféns dois outros do cam po de refugiados de Sandholm . Quando Niels chegou, Stanic pediu para sair do país em segurança; do contrário cortaria a garganta de um dos seus reféns. Era óbvio que ele falava sério, porque quase tinha conseguido m atar um deles – um a j ovem albanesa. A m oça só sobreviveu graças aos m ilagrosos esforços dos m édicos do Hospital Nacional. Depois o ar ficou pesado com as censuras a Niels. Leon, particularm ente, desabou sobre ele. Por que diabos ele não tinha estourado os m iolos daquele psicopata?, indagou o colega. O incidente se encerrara depois de m eio dia de negociação de Niels com o sérvio. Miroslav Stanic não dem onstrava nenhum rem orso pelos seus crim es de guerra. Som m ersted tinha razão. Ele era um autêntico psicopata. E fascinante. Chegou a fazer Niels rir. Mas Stanic tem ia a prisão. A solidão. Tinha plena consciência do fato de que a sua sorte estava selada e que pela frente ele teria vinte anos de presídio. O trabalho de Niels era fazê-lo passar do reconhecim ento da sua situação para a rendição.
Som m ersted ainda estava esperando.
– Foi um a prom essa que eu fiz a ele, Som m ersted. E um a vez que ele acabou cum prindo a pena na Dinam arca, eu tive a oportunidade de m anter a palavra.
– Um a prom essa? Você prom eteu visitá-lo na prisão com o um representante da Cruz Verm elha?
– Foi esse o preço para ele soltar os reféns.
– Esqueça essa prom essa, Bentzon. Os reféns foram soltos. Stanic foi condenado. Você percebe o que os outros policiais estão falando de você?
Niels desej ou que aquela fosse um a pergunta retórica.
– Você percebe? – Por um segundo W. H. Som m ersted pareceu um m édico que precisava dizer a verdade triste m as inelutável a um paciente que ia m orrer.
– Que eu sou m aníaco-depressivo? – sugeriu Niels. – Que eu tenho um parafuso a m enos?
– Sobretudo isso. Eles não conseguem entender você, Niels. Um dia você está de licença, doente, e no dia seguinte está por aí visitando todos os psicopatas.
Niels quase protestou, m as Som m ersted foi m ais rápido.
– Mas você tem talento. Sem dúvida você tem talento.
– Você quer dizer que eu sou bom na conversa com os outros?
– Você é um bom m ediador. Com a sua conversa você quase sem pre consegue que eles saiam da crise. Eu só gostaria que você não fosse tão...
– Tão o quê?
– Tão estranho. Com a sua fobia de viaj ar e o seu com portam ento m aníaco. E sendo am igo de psicopatas.
– Só um . Você fala com o se...
Som m ersted o interrom peu.
– Você não pode sim plesm ente cum prir ordens de vez em quando?
Niels olhou para o chão. Cum prir ordens? Antes que ele pudesse responder, o chefe da polícia prosseguiu:
– Eu soube que você vai sair de férias.
– É só um a sem ana.
– Tudo bem . Agora preste atenção. Gostei de saber dos seus esforços ontem . O que você acha de a gente tentar outra vez? Com eçam os com um a coisa pequena.
– Claro.
– Eu tenho um a tarefa para você. Nada de grande vulto. Quero que você contate alguns cidadãos. Converse com eles.
– Você disse que eu sou bom nisso. – Niels não podia ocultar seu sarcasm o.
Som m ersted lhe dirigiu um olhar irritado.
– Então com quem eu devo conversar?
– Pessoas boas.
Som m ersted com eçou a procurar algo entre a pequena coleção de papéis que havia sobre a m esa e enquanto isso balançava a cabeça e com entava sobre a inundação diária de avisos verm elhos da Interpol.
– Você se lem bra do som do telex nos velhos tem pos?
Claro. Niels se lem brava perfeitam ente da m áquina de telex que recebia atualizações e avisos da sede da Interpol em Ly on. Ela havia sido substituída por um com putador. Ou m elhor, por m ilhares de com putadores. No passado o telex funcionava ininterruptam ente. O som m onótono da im pressora m ecânica não os deixava esquecer que o m undo estava se tornando um lugar cada vez m ais ferrado. Se alguém queria um olhar breve e concentrado para a dor do m undo, tudo o que teria de fazer era passar vinte m inutos em frente da m áquina sussurrante: assassinos em série, contrabando de drogas, sequestro de m ulheres para prostituição e tráfico entre fronteiras, com crianças roubadas, im igrantes ilegais e urânio enriquecido. No departam ento m enos prem ente, o tráfico de espécies em risco de extinção: leões, leopardos, papagaios raros, golfinhos. A lista era infinita. Obj etos de arte e artefatos históricos raros. Violinos Stradivarius e j oias que j á pertenceram ao czar da Rússia. Nem m esm o um m ilésim o do que a Alem anha nazista havia roubado dos países ocupados fora recuperado. Ocultos em cantos recônditos e porões de casinhas alem ãs havia ainda diam antes, j oias de âm bar e ouro do Im pério Bizantino; pinturas de Degas e barras de ouro que tinham pertencido a fam ílias j udias. A busca desses bens ainda continuava. Era fácil ter um a dor de cabeça sim plesm ente por ter ficado diante da m áquina de fax. A vontade era de gritar e correr; de pular no m ar e desej ar que a vida nunca tivesse saído da água, que os dinossauros ainda dom inassem a terra.
Agora tudo estava no banco de dados da Interpol e todos os países m em bros estavam ligados. O esquem a se cham ava, com toda a sim plicidade, I-24/7. Com o um a loj a de conveniência, estava sem pre em funcionam ento. Mas j unto com o desenvolvim ento da nova tecnologia tinha havido um aum ento das am eaças. Granadeiros suicidas, bioterrorism o, hackers, distribuição de pornografia infantil, fraude de cartão de crédito, com ércio ilegal de créditos de carbono, fraude tributária, lavagem de dinheiro. Sem falar na luta contra a corrupção na União Europeia. A Interpol podia ter adquirido um a nova arm a para com bater o crim e, m as a nova tecnologia tinha dado aos crim inosos um a perícia equivalente. Talvez o m undo não tenha feito realm ente nenhum avanço. Esse era um pensam ento que sem pre ocorria a Niels. Talvez fosse m elhor no passado, quando havia apenas um a m áquina de telex ligada o tem po todo, quando o agitado som do m ovim ento de rotação da im pressora rom pia o ar com o um lem brete constante da dor do m undo.
– Um aviso verm elho – disse Som m ersted quando finalm ente encontrou o que estava procurando entre os papéis. Ele entregou a Niels o aviso. – Parece que as pessoas boas estão sendo m ortas.
– As pessoas boas estão sendo m ortas?
– É o que parece. Em lugares diferentes, no m undo inteiro: China, Índia, Rússia, Estados Unidos. Muitas das vítim as trabalhavam com causas hum anitárias. Você sabe o que eu quero dizer: trabalhadores de aj uda hum anitária, m édicos, conselheiros.
Niels leu as palavras: “Aviso verm elho”. O texto era em inglês, com posto no estilo lacônico, em staccato, tão típico da Interpol: Possíveis assassinatos cometidos por sectários. Primeiro policial que comunicou: Tommaso di Barbara. Niels se perguntou se seria assim que eles conversavam lá em Ly on. Linguagem de robôs.
– Nos velhos tem pos nós não teríam os gastado nossa energia com um a coisa desse tipo. Mas agora, depois da controvérsia sobre a caricatura de Maom é... Globalização, o que quer que isso signifique.
– Qual é a ligação entre os assassinatos? – indagou Niels.
– Sím bolos nas costas das vítim as, pelo que entendi. Algum tipo de m arca. Talvez os assassinos tenham um a m otivação sectária. Daqui a pouco vai aparecer em cada esquina um m aluco com um sabre e m eia tonelada de dinam ite am arrada no peito.
– Você acha que a m otivação é religiosa?
– Possivelm ente, m as nós não estam os envolvidos num a investigação. Felizm ente. Assassinatos “santos”. Isso significaria um inferno de papelada. E consultar um a pilha de livros de referência antigos e em poeirados. O que aconteceu com a ganância e o ciúm e? Essas m otivações a gente podia entender.
Som m ersted fez um a pausa e olhou pela j anela durante m uitos segundos. Niels teve a im pressão de que fora a palavra “ciúm e” que havia desviado seus pensam entos. Ele havia visto a m ulher de Som m ersted várias vezes. Um a loira rica e m im ada, um a beleza ligeiram ente apagada que provavelm ente não vira quase nada do lado sórdido da vida. Mas talvez não fosse tão fácil ser um a m oça da classe alta confinada em casa. Onde ela encontraria seus triunfos e pequenos reveses? As confirm ações pessoais que alim entam a alm a? A m ulher de Som m ersted encontrava os dela nos olhares dos outros hom ens; Niels havia notado isso na prim eira vez que a viu num a recepção. Ela ficou perto do m arido, até segurou sua m ão várias vezes, m as sem pre notando os olhares que lhe dirigiam os hom ens que estavam na sala.
– Acho que você deve passar o dia de hoj e fazendo contato com os... digam os, com as oito a dez pessoas boas de Copenhague. Descubra se elas notaram algum a coisa incom um . O chefe da Cruz Verm elha, pessoas que têm algum a relação com os direitos hum anos e os am bientalistas daqui. Esses tipos de organização. Peça a eles que fiquem alerta. Isso nos dará um a retaguarda.
– E quanto aos delegados que estão vindo para a conferência?
– Não. – Som m ersted deu um a risada forçada. – Acho que nós j á lhes dem os proteção suficiente. Além disso, dentro de quatro dias eles estarão indo em bora. Essa é um a am eaça m ais a longo prazo, acredito.
Niels recapitulou o que ele havia dito sobre os dois papéis, em bora Som m ersted estivesse ansioso para que ele saísse.
– Há algum suspeito? – perguntou Niels.
– Bentzon. Precaução oportuna, só isso.
– Mas por que foi que eles nos contataram a propósito do caso?
– Preste atenção: isso não é nada. Pense nisso quase com o se fosse um dia de folga para lhe agradecer a sua aj uda ontem à noite. Se a gente for levar a sério esse tipo de am eaça não especificada não vai sobrar tem po para m ais nada. Aqui nós j á tem os o suficiente para nos m anterm os ocupados. Se com eterm os o m enor erro, no dia seguinte haverá três j ornais m atinais e cento e setenta e nove m em bros do Parlam ento exigindo um a explicação e um a investigação, dizendo que nós precisam os estabelecer prioridades no nosso trabalho. Mesm o com vontade de m andá-los calar a boca, sou forçado a ficar lá, sorrir e balançar a cabeça com o um garotinho na form atura – Som m ersted respirou com exagero e se reclinou na cadeira. Ele j á havia feito esse discurso antes. – Esta é a m inha realidade, Bentzon: deliberar com o m inistro da Justiça e o procurador-geral. Mandar e-mails explicando o m otivo pelo qual nós não chegam os ao local do crim e dois m inutos antes. Atender a ligações de j ornalistas que nos perguntam por que estam os fazendo um trabalho tão noj ento. Porque é assim que eles nos veem .
Som m ersted apontou para a j anela, na direção do público em geral.
– Pense em m im com o seu defensor. Eu vou lidar com os cães de caça de Christiansborg e várias redações de j ornal. Tudo o que os seus policiais têm de fazer é o que vocês sem pre fizeram . Pegar e pôr na cadeia os crim inosos e depois j ogar fora a chave.
Niels apenas riu. Não se podia negar que Som m ersted tinha senso de hum or.
– Precaução oportuna, Bentzon. Considere essa conversa um a tarefa confidencial. Fica só entre m im e você. E tenha boas férias quando chegar o dia.