O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 36 de 137

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O Último Homem Bom

Caso de homicídio: Sarah Johnsson

– Hannah! – Niels levantou as m ãos no ar com o um caubói se rendendo.

Hannah suspirou.

– Tudo bem . Perdão. – Ela afastou a cadeira e olhou para a água, onde tinham surgido alguns barcos a m otor.

Niels se levantou. Ele queria fazer um a porção de perguntas, m as eram tantas as que pareciam colidir na sua m ente que ele acabou não perguntando nada. Foi Hannah quem quebrou o silêncio.

– Mas por que as vítim as têm esses núm eros nas costas? – Era a cientista falando.

– E quem fez essas m arcas? – Era o policial assum indo o com ando.

Hannah suspirou, olhando para o relógio e para a pilha de papéis. Então ela sorriu.

– Você j á está aqui há quase um a hora e nós ainda nem com eçam os a ler.

Caso de homicídio: Sarah Johnsson

Niels endireitou todas as páginas num a pilha certinha na m esa de centro. Essa operação resultou num a coluna que parecia um tij olo tam anho extra.

– Todas essas páginas tratam dos casos de assassinato? – indagou Hannah acendendo um cigarro.

– Acho que sim . – Niels pigarreou. – Sarah Johnsson, quarenta e dois anos. Thunder Bay.

– Isso significa que ela foi a prim eira a ser m orta?

Niels deu de om bros.

– Talvez. Por enquanto significa apenas que ela foi a prim eira pessoa m encionada nas páginas de fax. E a aparência dela era essa. – Ele colocou na m esa um a foto de um a m ulher com cabelo paj em e um a expressão m elancólica. – Ela m orreu no dia 31 de j ulho de 2009. Portanto não foi a prim eira – concluiu ele. – A m ulher do Peru foi assassinada em m aio.

– Thunder Bay ? – Hannah olhou para o grande m apa-m úndi que ela abrira diante de si.

– Canadá. No lago Superior. Um dos m aiores lagos do m undo.

Hannah procurou durante um m om ento, então tirou um pincel atôm ico preto e pôs um X onde ficava Thunder Bay.

– Sarah Johnsson era m édica num hospital. Morava sozinha, era solteira e não tinha filhos.

– O texto está em inglês?

– Um a parte. A relação dos fatos básicos, digam os. Acho que um a parte do relatório é em italiano.

– Muito bem . E depois? – Hannah estava a postos com o pincel atôm ico.

– Mais inform ações sobre Sarah. – Niels exam inou a página. – Muito m ais, na verdade. Acho que isso é um obituário do j ornal local.

– Obtido pelo policial italiano?

– Parece. Aqui diz que ela com pletou sua form ação m édica na Universidade de Toronto em 1993. Tem tam bém um a entrevista em inglês.

– Com Sarah Johnsson?

– É. – Niels passou m uitas outras páginas.

– Ela era m uito bonita – disse Hannah olhando para a foto. – Parecia a Audrey Hepburn.

– Espere. Eu m e enganei. A entrevista é com alguém que estudou com ela. Megan Riley.

– Por que ela foi entrevistada?

– Parece um a espécie de transcrição. Talvez de um a entrevista dada no rádio sobre Sarah Johnsson.

– Por que foi que o italiano m andou isso para você?

– Boa pergunta. Megan Riley descreve Sarah com o “antissocial, um pouco estranha, com um a vida am orosa difícil. Bonita, m as nunca pareceu ser realm ente feliz”.

– Coitada – disse Hannah com sim patia.

Niels concordou.

– Olhe para isso. Tom m aso conseguiu fotos de Sarah quando criança. Quer dizer, se é que esta é ela.

Hannah olhou para a foto de um a m enina de seis anos desaj eitadam ente em poleirada num balanço.

– Essas páginas parecem declarações de vários m édicos e psiquiatras – observou Niels.

– Esse tipo de relatório não é confidencial? O policial italiano não pode ter tido acesso a ele por conta própria.

– Pode sim – disse Niels. – Se ele for suficientem ente persistente. – Ele exam inou as assinaturas. Algum as eram ilegíveis. – Deve ter acontecido algum a coisa com a Sarah em 2005. Ela com eçou a m ostrar sinais de instabilidade em ocional. Ataques de ansiedade, insônia, tendências paranoicas.

– E há algum a causa para isso?

Niels balançou a cabeça e voltou às páginas de fax.

– Espere um pouco. Acho que eu deixei passar um a coisa no obituário dela. Talvez isto signifique algum a coisa: ela foi despedida do trabalho em 2005 por causa de um incidente que teve m uita atenção da m ídia local.

– Que tipo de incidente?

– Não diz aqui. Espere um m inuto. – Niels rem exeu nas páginas. – Ah, sim , aqui fala sobre ele. Um recorte de j ornal. – Ele pensou em ler em voz alta o texto em inglês, m as era um artigo m uito longo e ele não tinha segurança sobre as suas capacidades linguísticas.

– E então?

– Diz que Sarah Johnsson foi dem itida por j usta causa quando se soube que para salvar a vida de um garoto com um a doença incurável ela adm inistrou nele um m edicam ento não aprovado. O m enino ficou bom , m as o incidente teve um a grande repercussão profissional e suscitou m uitas críticas, então os diretores do hospital se sentiram obrigados a dem itir a m oça.

– Um m edicam ento não aprovado?

– É o que dizem aqui. Até onde eu sei, só depois de quinze anos um m edicam ento novo é aprovado, e Sarah Johnsson não podia esperar tanto tem po. Por isso infringiu as norm as e salvou a vida do garoto.