O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 46 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 37

Centro da cidade – Copenhague

Niels com eçou a correr pelo calçadão de Købm agergade. A últim a coisa que ele viu foi um funcionário de estacionam ento pôr um bilhete sob o para-brisa do seu carro.

– Ei!

Niels colidiu com um hom em , derrubando no chão suas sacolas abarrotadas de com pras. Não havia tem po para parar e pedir desculpa. A rua estava fervilhante com os preparativos para as festas: decorações de Natal, um a m ultidão com prando presentes, todo m undo parecendo nervoso. Ele virou na altura do prédio do departam ento de teologia da universidade, correu pelo corredor e chegou a um a parte m ais calm a da cidade. Olhou para o celular. Rosenberg estava cham ando novam ente.

– O que é que está acontecendo? – perguntou o pastor.

– Onde é que o senhor está?

– Continuo no m eu escritório. – Ele ainda não tinha sido tom ado pelo pânico. Mas isso não dem oraria a acontecer. Niels sabia pelo m odo com o o pastor respirava.

– Onde é que ele está agora?

– Não sei.

– Onde foi que o senhor viu o hom em ?

– Dentro da igrej a. Quando é que o senhor vai chegar aqui?

Niels estava correndo pela Skindergade. Ele ouviu um barulho alto na linha.

– Rosenberg?

Ainda o rebuliço. As perguntas voavam na cabeça de Niels. Por que o pastor? Havia tantos outros m ais conhecidos.

– O senhor ainda está aí?

– Ele tem um a faca na m ão. Ah, m eu Deus. Isso é a punição?

Niels ouviu alguém bater num a porta. Tentou correr m ais.

– Saiam do cam inho! – gritou ele para as pessoas que estavam na calçada. – Polícia! Abram cam inho!

Ele entrou em outro corredor. Um a escolha ruim . Foi dando cotoveladas para poder passar. Rosenberg ainda estava na linha. Niels o ouviu resm ungar algo sobre punição.

– Você j á está quase aqui? – gritou o pastor.

– Sim . Dentro de um m inuto. Procure algum a coisa para se defender. – Niels im aginou o pastor pegando a Bíblia. – Ele está acom panhado? – indagou.

– Acho que não. Acho que ele está sozinho.

– E dentro da igrej a? Não tem nenhum em pregado no prédio?

O pastor não respondeu. Niels podia notar pela sua respiração irregular que ele estava atento a algum a coisa.

– O senhor está ouvindo algum a coisa? – perguntou Niels ofegante. – O que é que está acontecendo com o senhor?

– Ele vai quebrar o vidro da porta! Já vai entrar aqui!

– Não tem nenhum lugar para onde o senhor possa fugir?

– Tem o banheiro. Mas...

– Vá para dentro do banheiro, tranque a porta e m e espere lá!

O pastor ficou na linha.

Um cam inhão enorm e apareceu do nada e bloqueou o cam inho.

– Droga! – Niels esm urrou a lateral do veículo.

– Tudo bem , eu estou aqui. – Era evidente que agora Rosenberg j á fora tom ado pelo pânico. – Eu m e fechei no banheiro. – Sua voz abandonou qualquer tentativa de perm anecer digno. Ele parecia prestes a desm oronar. – Eu tranquei a porta. Mas é um a porta fácil de arrom bar.

– E a j anela. Está fechada?

– Onde é que você está? Onde?

– Vou chegar aí em um m inuto. No m áxim o. – Niels estava m entindo, m as um a das ferram entas m ais im portantes para um negociador de crise é a esperança. Sem pre dar esperança aos reféns. Mesm o se for um soldado que está deitado no m eio da zona verde na província de Helm and, no Afeganistão, com o corpo todo furado de balas e as duas pernas arrancadas, é fundam ental dizer a ele que há esperança. Mesm o se o único m eio de fazer isso for dizer um a m entira.

O telefone ficou m udo. A linha vital tinha sido cortada.

– Rosenberg? – Niels ergueu a voz. Com o se adiantasse gritar num telefone quando não há ligação.

Agora Niels j á estava vendo a Helligåndskirke. A vista da linda torre da igrej a lhe deu o incentivo de que ele precisava para correr o resto do cam inho. Ele atravessou a rua. Um a j ovem ciclista com o filho na garupa gritou e lhe m ostrou o dedo em riste. Niels não a culpou. Ao saltar a m ureta ao lado da igrej a ele apalpou a sua Heckler & Koch para ter certeza de que ela estava ali. A m esm a frase ficava se repetindo na sua m ente.

Vou chegar tarde dem ais. Vou chegar tarde dem ais.