O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 67 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 57

Veneza

O ruído do m otor do barco avançando pela água turva abafou o cham ado do celular. O m otor de popa Yam aha de Tom m aso tinha estado na oficina para reparos desde outubro, m as ele finalm ente o pegara de volta. Agora apreciava o som do seu ronco ininterrupto, sem um a única nota discordante – ele estava funcionando com o um sonho. Um raio de sol ilum inava a laguna, prom etendo um tem po m elhor. Tom m aso olhou para o bassê estendido precariam ente no alto de um a pilha de cordas apodrecidas. O cachorro era da sua m ãe, e ele ia levá-lo para o depósito de anim ais abandonados.

– Você está nauseado? – indagou Tom m aso tentando sorrir. O bassê lhe dirigiu um olhar infeliz, com o se soubesse o que lhe ia acontecer.

Agora Tom m aso estava vendo a ilha. A ilha da baía doente, com o cham avam Santa Maria di Nazareth. Quatrocentos anos atrás, quando as pessoas chegaram na extrem idade do Adriático, a peste estava devastando o continente e elas tinham sido forçadas a passar quarenta dias na ilha. Quaranta. A palavra “quarentena” tem sua origem nesse fato. Quarenta dias para as pessoas provarem que sua pele não ia se encher de pústulas. Quarenta dias sem saber se a ilha seria o últim o lugar visto na terra. Talvez fosse a ideia da peste, m as Tom m aso sentiu com o se os sintom as parecidos com os da gripe, que ele vinha sentindo nos últim os dias, estivessem m ais insistentes.

– Gripe suína – m urm urou ele ao dim inuir a velocidade do barco. Ele estava tendo um pouco de dificuldade para respirar. Fechou os olhos e saboreou o calor do sol. Se não tivesse sido suspenso, ele estaria na estação ferroviária com seus colegas policiais. A chegada dos políticos e do m inistro da Justiça era um grande evento, e o com issário Morante havia ordenado estado de prontidão para toda a força policial. Isso poderia acontecer sem Tom m aso. E para ele era m uito bom .

Os prédios que davam para a laguna estavam todos desaprum ados. O solo pantanoso sob a ilha lhes tinha entortado o alicerce, e as estruturas estavam com eçando a se inclinar. A ferrugem das barras de ferro nas j anelas escorrera, form ando listras nas paredes de tij olo. Depois do controle da peste a ilha tinha sido usada com o prisão para doentes m entais, m as agora era um depósito de cães abandonados. Cães de rua do continente e das ilhas eram levados para lá. Muitos eram sacrificados; outros ficavam à espera de um novo dono.

Tom m aso desligou o m otor a alguns m etros do desem barcadouro. Nesse instante ouviu o toque do celular. Ligação da Dinam arca. De Niels Bentzon. Nove ligações da casa de repouso. Mau sinal.