O Último Homem Bom
Capítulo 44
Instituto Niels Bohr – Copenhague
O velho assoalho de m adeira rangia e gem ia à m edida que o m aior globo do instituto girava pelo corredor. Era um globo tão grande que Hannah não precisava se abaixar para em purrá-lo; ela podia cam inhar atrás dele com o se estivesse lidando com um carrinho de bebê de difícil m anej o. Um a lasca de m adeira voou no ar quando o globo se chocou contra um portal. Dois j ovens pesquisadores que voltavam do alm oço tiveram de pular de lado no corredor estreito para que o globo não passasse sobre eles.
– Ei! Cuidado! Você tem carteira de habilitação para dirigir isso? – indagou um deles rindo.
– Eu só preciso m edir um a coisa. – Hannah não dim inuiu o passo. Ouviu um dos hom ens m urm urar para o outro que ela parecia um tanto m aluca:
– O nom e dela é Hannah Lund. Era um a das m elhores, m as então... algum a coisa aconteceu com ela.
– E o que é que ela está fazendo agora?
O resto das palavras deles foi abafado pelo barulho do globo rolando. Hannah virou e rum ou para o salão de conferências. Ela tem ia que o globo fosse m aior que o vão da porta, m as o espaço foi exatam ente o suficiente para perm itir que ele passasse. Hannah tirou dos bolsos os rolos de papel-alum ínio que encontrou na cozinha ao lado da lanchonete. Com eçou a envolver o globo com a folha m etálica. Trabalhava determ inada e eficientem ente. Depois colou no globo os continentes que havia recortado do m apa. Mas não os pôs nas posições conhecidas. Em vez disso, reuniu-os em torno do polo Sul e depois usou um pincel atôm ico para desenhar os Xs. Agora eles estavam dispostos num a form ação inteiram ente diferente. Hannah olhou para o planeta. Ficou ali por m uito tem po, contem plando, até ela própria quebrar o seu silêncio.
– O m undo não tem esse aspecto desde a aurora da criação.