O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 88 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 75

Departamento de Pessoal, Hospital Nacional – Copenhague 15h21

– Poul Spreckelsen, da Clínica de Cardiologia – disse Casper olhando para cim a. – Seus feitos podem não ser tão espetaculares quanto os de Sam uel Hviid e a luta contra a m alária. Mas Spreckelsen desenvolveu...

Hannah não estava ouvindo. Ela olhava através do vidro para a tela da televisão ligada na sala contígua. Câm eras em helicópteros m ostravam duas am bulâncias chegando ao Bella Center. Médicos e param édicos saindo delas. O texto corrido na base da tela dizia: Últimas notícias. Negociador de questões climáticas sofre colapso.

– Você está ouvindo?

Hannah não estava. Ela deixou o departam ento de pessoal e foi para a sala ao lado.

– Posso aj udá-la? – A m ulher olhou para Hannah.

– Pode. Você se im portaria de aum entar o volum e?

A m ulher não se m exeu.

– Será por apenas dois m inutos. Por favor.

A m ulher deu um suspiro, m exeu no controle rem oto e aum entou o som . Ele está sendo transportado pelo Bella Center, disse o repórter da TV. Casper apareceu atrás de Hannah.

– Você está pensando a m esm a coisa que eu? – perguntou ele.

– Talvez.

O repórter continuou descrevendo em detalhe o que as câm eras estavam m ostrando na tela: Ele está sendo transportado. Passou em frente da área de imprensa. Dois médicos o estão ladeando e parece que vão lhe aplicar uma injeção intravenosa.

– Por que você não fala o nom e dele! – gritou Hannah im paciente. Nesse m esm o instante, com o se por um a ordem dela, o repórter da TV resum iu a situação: Estamos assistindo a um momento decisivo. No meio das negociações, Yves Devort, o negociador de questões climáticas que representa as ONGs, teve um colapso. Ele está sendo levado para o Hospital Nacional.

Casper e Hannah correram de volta para os com putadores.

Google: ONG. Copenhague e... Casper foi soletrando alto enquanto digitava o nom e: – Yves Devort.

– Só tem os m ais quinze m inutos – disse Hannah. – A am bulância pode chegar aqui em quinze m inutos?

– Provavelm ente não.

Casper j á havia encontrado Yves Devort no Google. Um hom em bonito. Tão francês quanto um a baguete.

– Cinquenta anos de idade. Não sei se tem filhos. E não sei o que a polícia francesa teria a dizer sobre ele.

Eles olharam para a tela da TV. Com oção. Caos. Delegados, m anifestantes, am bulâncias, hom ens da segurança e policiais.

Niels estava ligando para eles. Hannah atendeu. Ele parecia sem fôlego.

– Estou perdido.

– Onde é que você está? Leia para m im um a das placas.

– Departam ento de Ortopedia. Seção 2162.

Hannah olhou para Thor.

– Qual é o cam inho m ais rápido da Seção 2162 para o Departam ento de Cardiologia?

– Diga para ele procurar o elevador m ais próxim o.

– Você ouviu, Niels? Agora são duas horas e vinte e dois. Você tem exatam ente quinze m inutos.

– Hannah?

– Oi, Niels.

– Não vai dar certo. Nós não vam os conseguir.

Hannah hesitou. Ela olhou para a tela da TV. A am bulância ainda não tinha deixado o Bella Center. Estavam levando Yves Devort num a m aca. Ela se perguntava se devia falar para Niels sobre o negociador que tinha tido um colapso.

Hannah rom peu o silêncio com um a voz confiante, m as rouca.

– Niels, o que você está fazendo... é sim plesm ente espantoso.

A voz dela trem eu na últim a palavra. Espantoso. Ela sentiu que estava à beira das lágrim as.

– As chances são todas contra nós, Hannah. Estou com vontade de desistir.

– Não, não faça isso, Niels. Você está tentando encontrar um a pessoa boa. Som ente uma pessoa boa.

– E eu só encontro as falhas delas. Desde o com eço tem sido isso. Eu procuro um a pessoa boa m as encontro apenas o... o lado m au. As falhas.

Hannah ouvia a respiração de Niels enquanto m antinha um olho na tela da TV. E teve um a sensação incôm oda no estôm ago que a fez lem brar a ocasião em que ela e Gustav sofreram um acidente de carro. Ela estava dirigindo. Era assim que ele gostava. Ela ao volante enquanto ele dava ordens. “Desacelere, Hannah. Prepare-se para virar, Hannah.” Naquele dia eles tinham tido um a briga, com o sem pre acontecia, e quando Hannah se aproxim ou da saída da rodovia ela estava correndo dem ais. Eles acabaram no cam po de um a fazenda, com o Volvo de Gustav coberto de lam a. Mas logo antes de eles desviarem para o cam po, no instante im ediatam ente anterior àquele acontecim ento desastroso – no segundo em que ela percebeu que a coisa não ia term inar bem –, ela havia tido a m esm a sensação que experim entara agora.

– Hannah? – disse Niels ao telefone.

– Oi.

– Quem é que eles estão trazendo para cá num a am bulância?

– É isso que nós estam os tentando descobrir. Você está bem agora?

– Estou.

– Você precisa ir para a Seção 2142. A Clínica de Cardiologia. Encontrar Poul Spreckelsen.

Niels encerrou a ligação.

Casper olhou por cim a do seu com putador.

– Vou com eçar com os pacientes agora.

Ela assentiu com a cabeça. Casper era infatigável. Ela estava observando a am bulância na TV: saindo da rodovia e rum ando para o Hospital Nacional; com um a escolta policial abrindo cam inho.

O telefone tocou novam ente.

– Niels?

– Você vai precisar m e aj udar. Não sei se vou conseguir. E você está m ais perto.

Ele estava sem fôlego. Estava chorando?

– Tudo bem , Niels.

– Gry... a vítim a é ela. Acho que é ela. Lá na ala de cirurgia.

– Tudo bem , Niels. Eu vou lá.

– Correndo.

Hannah se voltou para Casper.

– Vou sair para aj udar o Niels.

– Eu ligo para você se encontrar algum candidato entre os pacientes? – indagou ele.

Hannah olhou pela j anela. Som ente a borda superior do sol estava visível.

– Não. Nós não tem os tem po para m ais nada.