O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 63 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 53

Silo de Carlsberg – Copenhague

De todas as m ás ideias que Niels tinha tido nos últim os anos, aquela ganhou o prêm io. Com o ele poderia ter m andado Kathrine a um a das piores favelas do m undo no m eio dos feriados de fim de ano que eles deviam estar passando j untos? Ele havia falado com ela três vezes; ela estava m uito perturbada, não conseguia esquecer a experiência. A certa altura, na últim a conversa, ele tinha tido vontade de gritar com ela. Droga, o que é que ela esperava? O m undo era cheio de pobreza, m orte e sofrim ento. Kathrine não fazia ideia disso porque passava os dias dentro de prédios com m obília de designer e ar-condicionado. O universo dela era superficial. Nada além de superfícies. Márm ore, aço, cobre, alum ínio – um m undo cintilante que ignorava o fato de que tudo em volta estava em decadência. Ele não disse isso a ela.

– Sinto m uito. Deve ter sido terrível. Vá dorm ir.

A discussão im aginária estava esquentando dentro da m ente exausta de Niels quando ele entrou no apartam ento e sentiu que alguém tinha estado lá.

Ele exam inou a sala de estar. Nada fora do com um cham ou sua atenção. A grande sala que dava para o oeste parecia exatam ente com o ele a havia deixado. Exatam ente com o quando, fazia um a eternidade, Kathrine deixara a vida que eles com partilhavam . Niels teve no corpo um a im pressão estranha, um a im pressão de que a relação deles tinha acabado. Talvez ele estivesse apenas percebendo a som bra de Kathrine, que estava sem pre presente no apartam ento. Ele se sentia cansado e m assacrado. E talvez, tam bém , porque Hannah tinha aparentem ente atinado com o sistem a e im aginado a coisa inteira. Ele pensou em telefonar para ela, m as resolveu ir para a cam a.

A porta que dava para a escada do fundo estava aberta.

Ele nunca se esquecia de fechar e trancar essa porta. Quase nunca a usava. Cuidadosam ente ele a exam inou. Não havia indício de arrom bam ento. A porta, sua estrutura, a fechadura, as dobradiças, tudo parecia intocado. Isso não era nada tranquilizador; sim plesm ente despertava outro tem or. Alguém teria pegado a sua chave e feito um a cópia? Ele tentou im aginar quem poderia ter acesso ao apartam ento. Ele e Kathrine eram os únicos. Além do seu vizinho, que m orava no andar de baixo. E quanto ao síndico do prédio? Havia um a chave m estra? Niels não tinha certeza, m as tendia a achar que não. Se o seu m edo tinha algum a base, alguém devia ter se apropriado da sua chave ou da de Kathrine e feito um a cópia.

O único lugar fora de casa onde Niels deixava suas chaves era no trabalho. A ideia era absurda, m as alguém poderia ter se apropriado da chave do seu apartam ento na chefatura, feito um a cópia e depois devolvido. Mas quem ? E por que razão?

Niels saiu para o patam ar e acendeu a luz. Ouviu passos m ais abaixo na escada.

– Quem está aí?

Nenhum a resposta.

– Alô?

Passos leves, quase inaudíveis, afastando-se. Um a porta bateu. Niels arrem eteu para a j anelinha e olhou a rua. Viu um a figura escura afastando-se do prédio num a corrida desabalada. Ou seria algo que flutuava? Talvez fosse apenas a luz do edifício, que proj etava som bras com pridas.

A luz da escada do fundo apagou.