O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 131 de 137

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O Último Homem Bom

25 de dezembro de 1943

Levin: Deus fez a m arca nas suas costas?

Worning: Fez. Foi Deus que fez. Não pode ter sido m ais ninguém . Mas talvez ela possa ser retirada.

Levin: A m arca pode ser retirada?

Worning: Talvez. Antes que m e m atem .

Levin: Quem é que vai m atar o senhor?

Worning: Mas antes eu preciso fazer algum a coisa ruim .

Levin: O que é que o senhor está querendo dizer?

Worning: Eu não quero falar m ais.

Levin: O que é que o senhor quer dizer quando fala que precisa fazer algum a coisa ruim ?

Worning: Eu não quero falar m ais.

25 de dezembro de 1943

Conclusões clínicas:

Exem plo clássico de esquizofrenia paranoica. O paciente acha que é o

centro do universo e ao m esm o tem po se sente perseguido. Muitas

experiências traum áticas na infância podem ter causado o seu transtorno.

Ele passou pela terapia de eletrochoques, m as sem o resultado esperado.

Sua m ulher veio visitá-lo hoj e de m anhã, o que pareceu acalm á-lo pelo

m enos tem porariam ente. Mais ou m enos na hora do alm oço ele estava de

novo extrem am ente deprim ido e foi visto batendo a cabeça contra o chão e

gritando: “Eu não posso ser o escolhido. Não pode ser eu”. E depois: “Eu

estou ouvindo. Prom eto ouvir”. O ansiolítico não teve o efeito desej ado. À

tarde o paciente estava tão perturbado que sua m ulher foi cham ada. Isso se

revelou um erro, porque logo depois das duas da tarde se constatou que tanto

o paciente quanto a m ulher tinham desaparecido. O paciente havia

conseguido quebrar um a j anela reforçada e depois fugiu com a m ulher.

Meia hora depois foi visto vagando na frente do hospital com um a faca na

m ão. Ninguém sabe onde a conseguiu. Ele tentou m atar a m ulher antes de

ser agarrado pelos servidores. Ela foi internada com ferim entos profundos

na garganta, m as deve sobreviver.

O paciente foi sedado e im obilizado.

28 de dezembro de 1943

O paciente está calm o e dorm iu durante a m aior parte do dia. Pela

prim eira vez desde a sua adm issão ele dorm iu bem por m uitas horas

seguidas. Quando acordou, quis falar com a m ulher. A solicitação foi

negada. Eles descreveram o que acharam “altam ente incom um ”: o grave

eczem a psicossom ático nas costas do paciente m elhorou notavelm ente. O

inchaço desapareceu e perm anece apenas um a m arca verm elho-clara.

26 de janeiro de 1944

O paciente recebeu alta por volta do m eio-dia.

Niels estava sentado com as costas apoiadas na parede. Na verdade ele não se lem brava de ter se sentado naquela posição. O arquivo m édico estava aberto no seu colo. Vozes. Ele teria dorm ido? Alguém deve ter notado que a luz estava acesa na sala. Ele j á não tinha energia para outra tentativa de fuga. Dois hom ens entraram nos arquivos.

– Lá está ele! – disse um deles dirigindo o feixe de luz da sua lanterna para Niels, em bora ele estivesse perfeitam ente ilum inado.

– Que diabo você está fazendo aqui? – indagou o outro hom em .

Pode ser que eles tenham dito outras coisas, m as Niels não os ouviu.

Quando puseram Niels na cam a e com eçaram a em purrá-la para o quarto, ele olhou para o relógio. Eram exatam ente dez horas da m anhã. Lá fora o dia ainda estava cinzento e a neve tornava o ar pesado. Não se via o sol. Talvez ele não tivesse se dado ao trabalho de subir. Se ele ficasse longe...

– Fique longe! Fique longe! – m urm urou Niels antes de o seu sistem a reagir à inj eção e ele entrar num sono profundo.