O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 22 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 16

– O senhor disse “pessoas boas”?

Niels não sabia se Thorvaldsen estava lisonj eado ou aborrecido.

– Todas as vítim as de assassinato eram pessoas boas?

– Isso. Pediatras, ativistas dos direitos hum anos, trabalhadores em aj uda hum anitária. Pessoas na sua linha de trabalho.

– Atividades hum anitárias. Pode usar esse term o aqui.

Niels exam inou a decoração m arcante da sala. Mobília com design dinam arquês. Wegener. Børge Mogensen. Tapetes persas autênticos. Enorm es j anelas panorâm icas. Um a grande foto em oldurada de Thorvaldsen ladeado por Nelson Mandela e Bono, provavelm ente tirada na ilha Robben.

– Quem m ais está na lista? – perguntou Thorvaldsen.

– Perdão?

– A sua lista. A quem m ais o senhor vai avisar?

– Desculpe, m as isso é confidencial – disse Niels.

Thorvaldsen recostou-se na cadeira, balançando a cabeça quase im percep-tivelm ente.

– A relação que o departam ento de polícia tem , contendo todos os hom ens bons do reino. Im agino que eu deva considerar um a honra estar incluído nela?

Niels não soube o que dizer.

Thorvaldsen prosseguiu:

– Por que o senhor acha que há um a ligação entre esses assassinatos? Não poderia ser um a coincidência?

– Claro, isso é possível. Mas nós não estam os envolvidos na investigação real.

– Então em que é que vocês estão envolvidos? – Ele deu um sorriso zom beteiro, para não parecer cético. Mas era tarde dem ais.

– Pense nisso com o um sinal de advertência. Um sinal m uito pequeno. Para o caso de ocorrer algo fora do com um . Um arrom bam ento. Vandalism o. Qualquer coisa desse tipo. Suponho que o senhor não tenha recebido am eaças nos últim os anos. Ou recebeu?

– Constantem ente. – Thorvaldsen m eneou a cabeça. – Os advogados da m inha ex-m ulher m e am eaçam dia e noite.

Bateram na porta e a secretária entrou, com um a cafeteira e xícaras.

– Acho que não há necessidade de café – disse Thorvaldsen dirigindo-lhe um olhar feroz. – Já estam os acabando.

Niels percebeu im ediatam ente. Ela havia com etido outro erro. Seu chefe não estava satisfeito com ela. Então ele sentiu que precisava ir em socorro dela.

– Só um a xícara seria ótim o. Obrigado. Em troca de todas as m oedas que eu j ogo nas latas de coleta da Cruz Verm elha sem pre que vocês estão levantando fundos.

Com as m ãos ligeiram ente trêm ulas, a secretária serviu-lhe um a xícara.

– Obrigado – disse Niels erguendo o olhar para ela.

Thorvaldsen indagou:

– O senhor vai m e oferecer proteção policial? – Ele parecia ter passado do estado de não m ais se sentir lisonj eado para o de um tanto atem orizado.

– Nós ainda não chegam os a esse ponto – disse Niels. – No m om ento o nível de am eaça é m ínim o. – Ele deu a Thorvaldsen um sorriso tranquilizador. Sabia perfeitam ente bem que esse com entário causaria um a reação oposta à pretendida. Não era à palavra “m ínim a” que o subconsciente do hom em se apegaria, e sim ao term o “nível de am eaça”. Se alguém está preocupado com diversas doenças, não adianta ler sobre elas, por m ais raras que sej am ; pelo contrário, isso som ente alim enta a ansiedade da pessoa. Niels sentiu subitam ente um a prem ente necessidade de punir Thorvaldsen. De dar ao seu subconsciente alguns bocadinhos extras para ele m ascar incessantem ente nas próxim as noites.

– Em bora os assassinatos tenham sido realizados com extraordinária astúcia, no m om ento atual não há razão para acreditar que a Dinam arca será o próxim o alvo – Niels sorriu novam ente para a secretária antes que ela saísse da sala.

– Então por que o senhor está sentado aqui conversando com igo?

– Precaução oportuna.

– Se o senhor acha que a m inha vida está em perigo, precisa garantir a m inha segurança.

– Não enquanto o nível de am eaça estiver no ponto em que está agora. Se ele subir, nós evidentem ente tom arem os as m edidas necessárias. Até então o senhor deve apenas...

– Ficar calm o?

– Exatam ente. – Niels olhou para fora da j anela. A vista era do parque Fӕlled. Sobre o gram ado e as árvores havia um a fina cam ada de gelo, com o em um a pintura antiga cuj as cores tinham esm aecido.

Seguiu-se um silêncio desconcertante. O descontentam ento de Thorvaldsen era com o um a presença física na sala. Assim , Niels não se surpreendeu quando o hom em suspirou e se preparou para com eçar um a longa invectiva.

– Escute aqui. Eu passo todas as m inhas horas de vigília socorrendo pessoas carentes. De acordo com as estim ativas, nosso proj eto de água potável no leste da África, sozinho, salvou dezenas de m ilhares de vidas, sem falar na atenção que a Cruz Verm elha concentrou na calam idade na... – De súbito ele parou, percebendo que Niels não estava prestando atenção. – O m ínim o que nós podem os esperar num a situação com o essa é um pouco de aj uda das autoridades.

– Posso lhe dar o núm ero do m eu telefone. Com o eu disse, o senhor será sem pre bem -vindo se m e contatar.

– Obrigado, m as eu sei o núm ero do telefone da polícia.

De novo se instalou na sala o silêncio. Niels se levantou.

– Sinta-se à vontade para m e ligar. Fique de olho nos fatos incom uns.

– Claro. Ótim o. Cum prim ente Am undsen, na Anistia Internacional, por m im . Eu suponho que ele sej a o próxim o da lista. Pergunte a ele se nós podem os nos esconder j untos – na casa de cam po dele ou na m inha.

Niels balançou a cabeça e saiu da sala.

Não se preocupe, Thorvaldsen, pensou ele ao descer no elevador. Você não corre perigo. Ele tirou da pasta a lista. A relação de todos os hom ens bons do reino, com o Thorvaldsen havia se referido a ela.

Então riscou de propósito o nom e de Thorvaldsen.