O Último Homem Bom
Capítulo 11
23h40, quinta-feira, 24 de dezembro
Talvez fosse véspera de Natal. Niels olhava para a neve lá fora. Não sabia há quanto tem po estava acordado. A porta abriu.
– Niels? Telefonem a para você. É a Hannah. – Randi estava de pé na soleira da porta com o telefone na m ão.
– Você está a fim ? Acho que ela quer m uito falar com você. Até tentou fugir do quarto dela para encontrar você.
Ele tentou dizer que sim , m as a palavra ficou em pacada na sua garganta. A enferm eira lhe entregou o telefone.
– Hannah? – disse ele.
– Niels?
– Você está viva.
Ele pôde perceber que Hannah estava sorrindo.
– Estou. Eu estou viva. Niels, aconteceu um a coisa realm ente incrível.
– Você tam bém viu?
– O bebê listrado?
– Bebê? Do que é que você está falando?
– Niels. Eu m orri. Duas vezes. Estive do outro lado durante nove m inutos!
Niels olhou pela j anela enquanto Hannah lhe contava que havia m orrido e depois voltado à vida. Que vira o que havia na prateleirinha perto do teto. Eles ficaram por algum tem po saboreando o silêncio, um atento à respiração do outro.
– Eu queria ver você.
Ele ouviu o anseio na voz dela. Então ela teve um a ideia.
– Tente dirigir a sua lâm pada de cabeceira para a j anela. Dá para fazer isso? Você está podendo m exer os braços?
– Estou.
– Tudo bem . Eu vou fazer a m esm a coisa.
Niels levou o abaj ur até a j anela e dirigiu a luz para fora, ilum inando a neve. Naquele m esm o instante ele viu um a luz na ala oposta do prédio, colocada num a j anela quase no m esm o nível.
– Você está vendo a m inha luz?
– Estou.
Silêncio.
– Niels, que bom que eu encontrei você. Em bora nós tenham os acabado aqui no hospital.
Niels a interrom peu.
– Há um precedente, Hannah.
– Um precedente para o quê?
– Aqui no hospital. Em 1943. Eu vi um a foto do hom em . O nom e dele era Thorkild Worning. E ele tinha exatam ente a m esm a m arca nas costas. O núm ero trinta e seis. O derm atologista m e m ostrou.
A porta do quarto abriu. Era Randi.
– Por hoj e chega.
– Hannah. Você está m e ouvindo? Ele sobreviveu. Não é certeza que tudo vá term inar am anhã.
A enferm eira estava de pé diante de Niels.
– Mais dois m inutos. – Ela balançou a cabeça e saiu.
– Você consegue andar, Hannah?
Niels ouviu um ruído forte no telefone. Talvez ela tivesse deixado o aparelho cair. Ele esperou que ela ligasse novam ente. Mas nada aconteceu, fora a entrada de Randi, que pegou o telefone e saiu outra vez.
Ele pegou a lâm pada. Desligou-a e ligou-a duas vezes. Logo em seguida, exatam ente no m esm o ritm o, a lâm pada da ala oposta repetiu o sinal. Niels e Hannah. Separados m as ligados.