O Último Homem Bom
Capítulo 46
Instituto Niels Bohr – Copenhague
A dor física era um bom sinal para um pesquisador. Um sinal de que a pessoa tinha ficado sentada por um tem po dem asiadam ente longo na m esm a posição, não com era direito e não tom ara nenhum líquido. Os cientistas se esqueciam dessas coisas quando um a reviravolta era im inente. Alguns cientistas do sexo m asculino cham avam a situação de “dores do parto da descoberta”. Hannah ignorou que suas costas estavam doendo e seu estôm ago roncava quando ela digitou no cam po de busca:
http://en.wikipedia.org/wiki/file:Pangea_anim ation_03.gif.
Ela olhou fascinada a curta anim ação que m ostrava a deriva dos continentes. Eles pareciam estar navegando, com a Am érica do Norte, a Am érica do Sul e a Ásia, cada um a delas se m ovendo num a direção diferente. Mais um a vez ela olhou para as suas anotações. Era tão lindo. Tão sim ples, tão óbvio.
– Hannah? É você? – A secretária ergueu o olhar por sobre a tela do com putador, atônita pela visão de Hannah entrando na sua sala.
– Eu posso usar o seu telefone?
– Com o é que você está? Você não aparece aqui há séculos.
– Meu celular está lá em cim a, na m inha antiga sala. – Hannah parou para olhar direito a m ulher. – Solvej ?
– Com o é que você está, Hannah?
– Eu só preciso fazer um a ligação. É im portante.
Hannah pegou o aparelho enquanto olhava para o cartão de Niels. Solvej sorriu, balançando a cabeça.
– Oi, Niels, sou eu. Me ligue de volta quando puder. Eu descobri um a coisa realm ente form idável. Algo... Quer dizer... é m uito lindo. O sistem a. E eu sei onde os outros assassinatos foram com etidos. – Ela desligou o telefone e olhou para a secretária. – É sobre um a série de assassinatos que foram com etidos em todo o m undo. Estou em contato com um policial que está procurando... – Ela se calou.
– Procurando o quê? – perguntou Solvej .
– Tenho tentado ver se eu poderia im aginar um tipo de sistem a, e acho que consegui – prosseguiu Hannah.
– Eu não duvido.
– Você está bem , Solvej ? Seu m arido estava doente, pelo que eu m e lem bro.
– É verdade, ele estava com câncer. Mas agora está bem . Ainda precisa fazer controles de tem pos em tem pos, m as acho que ele venceu a parada. E você?
– Gustav m e deixou.
– Ah, é um a pena. Acho que j á deve fazer uns dez anos que eu o vi aqui pela últim a vez. Ele veio apanhar a Frodin. Eles iam para Genebra.
Hannah olhou para Solvej . Ela sem pre havia gostado da secretária, a m ãezona do instituto. Solvej se levantou e calm am ente chegou até Hannah para lhe dar um abraço.
– É bom ver você de novo, Hannah. Eu nunca entendi nada do que se passa nessa sua cabeça, m as sem pre gostei m uito de você. Não hesite em m e ligar se precisar de algum a coisa.
Hannah assentiu com a cabeça e saiu da sala.