O Último Homem Bom

A. J. Kazinski · Capítulo 78 de 137

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O Último Homem Bom

Capítulo 67

Hospital Nacional – Copenhague

Hannah estava sentada no corredor do Hospital Nacional, e Niels andava im paciente de um lado para outro, quando através da j anela viu seu colega. Casper estacionou a bicicleta, retirou os faróis e entrou.

– Vim tão rápido quanto pude. – Casper parecia sem fôlego.

– Você falou com alguém aonde ia?

– Ninguém perguntou.

– Bom . Quero que você conheça a Hannah. Vocês vão trabalhar j untos.

– Eu nunca estive em cam po antes – disse ele agitado. Hannah veio encontrá-los.

Niels a apresentou.

– Hannah Lund. Professora do Instituto Niels Bohr – acrescentou ele. Ela não tentou corrigi-lo. Qualquer outra explicação teria sido com plicada dem ais. A apresentação de Casper foi m ais fácil e tam bém m ais próxim a da verdade: o gênio da com putação da polícia.

Departamento de Pessoal, Hospital Nacional – Copenhague

As luzes fluorescentes levaram um a eternidade para acender. O brilho frio ilum inou a placa na porta de vidro fosco: departam ento de pessoal do hospital nacional.

– Eu j á ia encerrar o m eu dia de trabalho – disse Thor, o hom em de m eia-idade responsável pela inform ática que lhes havia aberto o acesso à sala.

Os pais dele não devem m ais achar que o nom e é adequado para Thor, um hom em tão m iúdo, pensou Niels. Talvez eles soubessem antes m esm o do nascim ento do filho que ele seria baixinho e tivessem tentado com pensar o seu tam anho com aquele nom e. Thor Jensen. Ele não chegava a ter um m etro e quarenta de altura.

– Ok, Parque Jurássico da Com putação – disse Casper, correndo a m ão pela tela de um com putador antigo.

Thor não tinha ideia do que poderia ser o obj eto do com entário de Casper.

– Hoj e é sexta-feira. As pessoas vão para casa m ais cedo – respondeu ele.

– Você sabe ligar o sistem a?

– Sei.

– Então ligue – disse Niels.

Suspirando, Thor pôs a m ochila na escrivaninha, foi para o fundo da sala e ligou o interruptor principal. Um zum bido elétrico se espalhou pela sala.

Casper riu encantado.

– Estam os voltando atrás no tem po.

– Na verdade ele funciona otim am ente. Melhor que o sistem a antigo.

– E qual era o sistem a antigo? Cartões perfurados?

Thor não parecia disposto a discutir com Casper os com putadores do hospital. Ele deu de om bros e disse:

– Mais algum a coisa?

Casper olhou para Niels. Hannah respondeu-lhe:

– Você poderia im prim ir um a relação com pleta de todos os em pregados do hospital?

– Teoricam ente, sim .

– E todos os pacientes tam bém – acrescentou Niels.

– Meu horário de trabalho acabou três m inutos atrás.

– Quando é que eu vou descobrir exatam ente o que nós estam os fazendo aqui? – indagou Casper.

Niels olhou para Casper e depois para Thor. Ele sabia que não havia alternativa. Seria preciso explicar, tão breve e precisam ente quanto possível.

– Vam os tentar encontrar um a pessoa boa que exatam ente agora está trabalhando neste hospital.

Ninguém disse palavra. Thor olhou em basbacado para Niels.

Casper abriu a sua m ochila e tirou de lá um laptop. No alum ínio brilhante estava im presso o logotipo do departam ento de polícia: dois leões com as patas dianteiras levantadas e entre eles um a m ão entreaberta segurando um olho. O olho da polícia.

– A m esm a busca que nós fizem os antes? – perguntou Casper.

– Não – disse Niels. – Desta vez tem os de ser m ais precisos. Não estam os interessados em figuras públicas m uito conhecidas.

Casper ergueu os olhos.

– Então com o é que você quer fazer isso?

– Estam os procurando alguém que tenha entre quarenta e quatro e cinquenta anos.

Hannah acrescentou:

– Sem filhos.

– Eu poderia ser essa pessoa – disse Thor. Todos eles se viraram para olhá-lo.

Niels prosseguiu.

– Alguém que tem contato com m uita gente. E que salva vidas.

– Deve haver poucas pessoas assim neste lugar.

– É por isso que você está aqui, Casper.

– O que é que você está querendo dizer?

– Precisam os selecionar essas pessoas.

Thor pigarreou.

– Desculpem a interrupção, m as...

Niels olhou im paciente para Thor.

– Sim ?

– O que vem a ser isso?

– Estam os tentando im pedir um assassinato que vai ser com etido neste hospital às três e trinta e sete da tarde. Ou sej a, dentro de m enos de um a hora.

Casper levantou-se, ansioso.

– Talvez sej a m elhor você arrum ar outra pessoa.

Niels segurou-o pelo braço, dizendo com autoridade:

– Calm a. Sente-se, Casper. – Mas Casper continuou de pé. – Tem os um a chance de evitar isso, precisam os do seu cérebro. Você é o único que pode conseguir.

– E se eu não conseguir?

– Isso não vai acontecer. A gente só não consegue se não tenta. Sente-se.

Finalm ente Casper voltou a se sentar. Niels notou que as m ãos do seu colega trem iam levem ente. Hannah pôs a m ão no om bro dele para tranquilizá-lo.

– Com o eu estava dizendo, Hannah e Thor vão encontrar os candidatos no com putador do hospital.

– Sinto m uito, m as eu j á passei do m eu horário.

Niels se recusou a liberá-lo.

– Thor? Algum a vez você experim entou a com ida da Prisão Vestre? Goulash servido num a lata.

Silêncio. O baixinho do com putador desabotoou o paletó e se sentou perto dos outros.

– Estam os procurando alguém que tenha entre quarenta e quatro e cinquenta anos.

– Isso deve ser possível.

Niels continuou.

– E Casper, você vai conferir para ver se eles se enquadram ou não.

Hannah suspirou.

– O que desqualificaria um a pessoa? O que a deixaria fora da lista?

Niels ficou pensando.

– Problem as frequentes e graves com a lei. Esse tipo de pessoa não poderia ser considerado bom . Você se surpreenderia se soubesse quantas pessoas têm registro na polícia.

– E o russo? – disse Hannah. – Ele estava num a prisão.

– Estava, m as por ter se m anifestado contra o sistem a político. Ele não tinha com etido nenhum crim e contra alguém . Pelo contrário.

– E tem tam bém aquele de Israel, que libertou os prisioneiros.

– É a m esm a coisa. Ele foi preso por fazer um a coisa boa que por acaso era contra a lei.

Casper estava com o com putador pronto.

– Por onde com eçam os? Pelos m édicos? Pelas enferm eiras?

– E quanto aos serventes? – indagou Hannah. – Eles tam bém podem ser considerados bons?

– Claro. Mas vam os com eçar por cim a.

Hannah balançou a cabeça.

– Isso não é sistem ático, Niels. Pode ser um paciente.

– Thor? Você pode nos dizer tam bém quem são os pacientes internados no hospital?

– Claro.

– Certo. Mas vam os com eçar pelos em pregados. Médicos, parteiras, pesquisadores. Entre quarenta e quatro e cinquenta anos. Sem filhos.

– Posso checar isso no registro civil – disse Casper.

– Tem os sorte por hoj e ser sexta-feira. E a sexta-feira antes do Natal. Muita gente j á saiu de férias. Outros foram para casa m ais cedo. Não é m esm o, Thor?

– É, você tem razão.

– Bom . Eu quero que todos vocês m e digam os nom es e os departam entos. Aí eu contato os candidatos.

– O que é que você está pensando em falar para eles? Vai chegar e perguntar para o suj eito se ele é um a pessoa boa? – perguntou Hannah.

Por um m om ento Niels ficou apenas olhando para ela. Depois disse:

– É. Isso m esm o.

– Niels, isso é im possível.

Ele pensou e então assentiu com a cabeça.

– Você está certa. É im possível. Quase. Norm alm ente nós tem os de encontrar um assassino. Nesse caso não sabem os nada sobre ele. A coisa m ais lógica a fazer seria evacuar o hospital. Mas nós não podem os fazer isso. – Ele ficou em silêncio durante algum tem po. – Por outro lado nós tem os algum as vítim as. Todas entre quarenta e quatro e cinquenta anos. Todas sem filhos. E parece que elas tinham um a curiosa capacidade de estar – quase contra a sua vontade – no lugar exato onde m ais precisavam da sua aj uda. Estam os procurando alguém que tenha um a grande interação com m uitas pessoas diferentes. Alguém ligado a um a rede.

Ele estava olhando apenas para Hannah, e então sorriu.

– Essas pessoas são com o aranhas num a teia. Com o têm antenas para todo lado, podem sentir quando alguém fica preso na rede, e então se apresentam para aj udar.

Todos os três estavam olhando para ele em expectativa. Niels continuou:

– Por que é que isso seria tão im possível? Eu passei quinze anos correndo atrás do m al. E ninguém se surpreende com isso. Então qual é o problem a de passar m ais ou m enos um a hora para encontrar um a pessoa boa? A bondade é m ais difícil de enxergar que a m aldade?

Ele apontou para a j anela e para o sol de dezem bro que baixava, pairando logo acim a do alto das árvores nuas do Parque Am or.

– Tem os um a hora antes do pôr do sol. E, sim , provavelm ente parece im possível. Quase ridículo. Mas não vale a pena sacrificar um a hora para tentar? Mesm o sendo estatisticam ente im provável que a gente vá conseguir?

Durante alguns segundos ficaram todos pensando no que ele acabara de dizer. O ruído dos com putadores era o único som que se ouvia na sala. Surpreendentem ente, Thor foi o prim eiro a responder.

– Vale – disse ele.

– Eu tam bém acho – acrescentou Casper, que readquirira a autoconfiança.

– Tudo bem . Então vam os com eçar. Vej am os registros do hospital. Com ecem pelos em pregados – disse Niels voltando-se para o aturdido especialista em tecnologia da inform ação.

Hannah ligou seu com putador.

Niels prosseguiu:

– Depois chequem o registro civil para ver se eles têm filhos. Liguem para o m eu celular quando tiverem alguns nom es.

Thor olhou por cim a do com putador.

– Localizei um a aqui. Tanj a Munck. É parteira. Trabalha à noite, portanto está aqui agora. Posso verificar se ela j á registrou a sua chegada.