Inverno do Mundo
Capítulo VI
– Carla? – indagou ele.
– Eu m esm a – respondeu ela, alegre. – Fazendo um curativo na sua bunda.
– Eu te am o – disse Werner.
Ela o tom ou nos braços da m aneira m enos profissional possível e disse:
– Ah, m eu querido, eu tam bém te am o.
VI
Thom as Macke dem orou a recobrar os sentidos. De início, foi com o se estivesse sonhando. Então sua consciência voltou, e ele percebeu que estava num hospital, sob efeito de drogas. Tam bém soube por quê: sua pele doía m uito, principalm ente do lado direito. Entendeu que os rem édios deviam estar aliviando a dor, m as não conseguiam elim iná-la por com pleto.
Aos poucos, lem brou-se de com o tinha ido parar ali. Um a bom ba caíra em cim a dele. Se na hora não estivesse correndo para longe do local da explosão atrás de um fugitivo, estaria m orto. Todos os colegas que estavam atrás dele com certeza haviam m orrido: Mann, Schneider, Richter, o j ovem Wagner. Sua equipe inteira.
Mas ele conseguira capturar Werner.
Seria m esm o verdade? Tinha atirado em Werner, que caíra no chão. Nessa hora a bom ba os atingira. Assim com o Macke havia sobrevivido, talvez Werner tam bém tivesse escapado.
O inspetor agora era o único hom em vivo a saber que Werner era um espião. Tinha que falar com seu chefe, o superintendente Kringelein. Tentou se sentar na cam a, m as constatou que não tinha forças para se m exer. Decidiu cham ar um a enferm eira, m as, quando abriu a boca, nenhum som saiu. O esforço o deixou exausto, e ele voltou a dorm ir.
Da próxim a vez que acordou, sentiu que era noite. O hospital estava silencioso; não havia nenhum m ovim ento. Ele abriu os olhos e viu um rosto pairando acim a do seu.
Era Werner.
– Você vai em bora daqui agora – disse o rapaz.
Macke tentou pedir aj uda, m as descobriu que não conseguia falar.
– Vai para um lugar novo – continuou Werner. – Lá não será m ais torturador... na verdade, você é que será torturado.
Macke abriu a boca para gritar.
Um travesseiro cobriu seu rosto e foi pressionado com força por cim a da boca e do nariz. Macke não conseguia respirar. Tentou se debater, m as seus m em bros não tinham forças. Tentou arquej ar, m as não encontrou ar nenhum . Com eçou a entrar em pânico. Conseguiu m over a cabeça para os lados, m as o travesseiro foi apertado com m ais força. Por fim , em itiu um som , m as foi apenas um ganido fraco na garganta.
O universo se transform ou em um disco de luz e foi encolhendo, encolhendo, até virar um pontinho m inúsculo.
Então se apagou.