Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 40 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo III

Ela pegou os com prim idos e os engoliu com um gole de chá quente. Lloy d sem pre lhe parecera m uito m aduro para a sua idade. Ela se lem brou da segurança com a qual ele fora procurar Boy , que estava bêbado, na casa de espetáculos.

– Você sem pre foi assim – com entou. – Um adulto de verdade, m esm o quando todos os outros estávam os apenas fingindo.

Ela term inou o chá e com eçou a ficar sonolenta. Ele pegou as xícaras.

– Acho que vou fechar os olhos um instante – disse ela. – Pode ficar aqui, se eu pegar no sono?

– Posso ficar o tem po que você quiser – respondeu ele.

Então disse m ais algum a coisa; sua voz, porém , pareceu sum ir ao longe, e ela adorm eceu.

 

III

Depois disso, Lloy d com eçou a ir todas as noites ao pequeno apartam ento da governanta.

Passava o dia inteiro esperando por esse m om ento.

Sem pre descia alguns m inutos depois das oito, quando o j antar no refeitório j á havia term inado e a criada de Daisy tinha ido para casa. Eles se sentavam frente a frente em duas poltronas antigas. Lloy d levava um livro para estudar – havia sem pre um “dever de casa”, com testes pela m anhã –, e Daisy ficava lendo um rom ance. O que m ais faziam , porém , era conversar. Contavam o que havia acontecido durante o dia, falavam sobre o que estavam lendo e revelavam um ao outro a história de suas vidas.

Lloy d falou sobre sua experiência na batalha da Cable Street:

– Eu estava lá, de pé no m eio de um a m ultidão pacífica, quando fom os atacados por policiais m ontados gritando algum a coisa sobre j udeus im undos. Eles nos espancaram com os cassetetes e nos em purraram contra as vitrines das loj as.

Daisy , que ficara reunida com os fascistas em Tower Gardens, não vira os com bates.

– Não foi isso que noticiaram – falou. Havia acreditado nos j ornais, segundo os quais tudo não passara de um a rebelião de rua organizada por baderneiros.

Lloy d não estranhou aquilo.

– Minha m ãe assistiu a um noticiário no cinem a Essoldo de Aldgate na sem ana seguinte – recordou. – O apresentador falou com sua voz pom posa: “Observadores im parciais foram só elogios para a polícia.” Mam disse que a plateia inteira explodiu em gargalhadas.

Aquele ceticism o de Lloy d em relação às notícias divulgadas pela im prensa deixou Daisy chocada. Ele lhe contou que a m aioria dos j ornais britânicos deixara de publicar m atérias sobre as atrocidades perpetradas pelo exército de Franco na Espanha, e havia exagerado os relatos de m au com portam ento por parte das forças do governo. Ela adm itiu que tinha engolido a explicação do conde Fitzherbert – segundo ele, os rebeldes eram cristãos de altos princípios que desej avam libertar a Espanha da am eaça com unista. Ela desconhecia as execuções em m assa, os estupros e saques com etidos pelos franquistas.

Parecia nunca ter lhe ocorrido que os j ornais pertencentes a capitalistas pudessem m inim izar as notícias que repercutissem m al no governo conservador, nas Forças Arm adas ou no em presariado, e aum entar qualquer incidente de m au com portam ento envolvendo sindicalistas ou partidos de esquerda.

Lloy d e Daisy conversavam sobre a guerra. Os com bates finalm ente haviam com eçado. Soldados britânicos e franceses tinham desem barcado na Noruega e disputavam o dom ínio do país com os alem ães. Os j ornais não conseguiam esconder por com pleto o fato de que os Aliados estavam levando a pior.

A atitude de Daisy para com Lloy d não era m ais a m esm a. Ela não flertava m ais. Ficava sem pre feliz ao vê-lo, reclam ava quando ele chegava atrasado, e às vezes o provocava, m as nunca se com portava de form a sedutora. Contou-lhe com o todos tinham ficado desapontados com o fato de ela ter perdido o bebê: Boy, Fitz, Bea, sua m ãe lá em Buffalo e até m esm o Lev, seu pai. Não conseguia se livrar da sensação irracional de ter feito algo vergonhoso e perguntou se ele achava aquilo um a tolice. Ele respondeu que não. Nada do que ela fazia lhe parecia tolice.

Em bora suas conversas fossem pessoais, eles m antinham distância física. Ele não explorava a extraordinária intim idade da noite do aborto. A cena, é claro, ficaria para sem pre em seu coração. Lim par o sangue das coxas e da barriga de Daisy não fora algo sensual – nem um pouco –, m as fora um gesto extrem am ente carinhoso. Porém aquilo havia sido um a em ergência m édica e não lhe dava perm issão para tom ar outras liberdades. Ele tinha tanto m edo de passar um a im pressão errada em relação a isso que tom ava o cuidado de nunca tocá-la.

Às dez da noite, Daisy lhes preparava um chocolate quente, que Lloy d adorava e ela dizia apreciar, em bora ele se perguntasse se estaria apenas sendo gentil. Então ele se despedia e subia para seu quartinho no sótão.

Os dois pareciam velhos am igos. Em bora não fosse isso que ele queria, não conseguiria nada m elhor, pois Daisy era um a m ulher casada.

Lloy d tinha tendência a esquecer o status social de Daisy. Certa noite, ficou espantado quando ela anunciou que iria fazer um a visita a Peel, antigo m ordom o do conde, que agora estava aposentado e m orava num pequeno chalé bem perto da propriedade.

– Ele tem 80 anos! – disse ela a Lloy d. – Tenho certeza de que Fitz o esqueceu por com pleto. Preciso ver com o ele está.

Lloy d arqueou as sobrancelhas, surpreso, e ela acrescentou:

– Preciso m e certificar de que ele está bem . Com o m em bro do clã dos Fitzherbert, é o m eu dever. Cuidar dos antigos criados é um a obrigação das fam ílias ricas... você não sabia?

– Tinha m e esquecido.

– Pode ir com igo?

– Claro.

O dia seguinte era um dom ingo, e os dois foram visitar Peel pela m anhã, quando Lloy d não tinha aulas. Am bos ficaram chocados com o estado do chalé. A tinta do exterior estava descascando, o papel de parede se soltando, e as cortinas, encardidas com a poeira de carvão. A única decoração da casa era um a fileira de fotografias recortadas de revistas e presas à parede: o rei e a rainha, Fitz e Bea, outros m em bros da nobreza. Fazia anos que a casa não via um a boa faxina, e um cheiro de urina, cinza e putrefação pairava no ar. No entanto, Lloy d pensou que aquilo não fosse incom um entre senhores de idade que viviam com um a pequena pensão.

Peel tinha as sobrancelhas brancas. Olhou para Lloy d e disse:

– Bom dia, m ilorde... pensei que o senhor tivesse m orrido!

Lloy d sorriu.

– Sou só um a visita.

– É m esm o, senhor? Minha cabeça está terrível. O velho conde m orreu faz quanto tem po? Uns 35, 40 anos? Bem , m as nesse caso, m eu j ovem , quem é o senhor?

– Meu nom e é Lloy d William s. O senhor conheceu m inha m ãe anos atrás: Ethel.

– O senhor é o filho de Eth? Bem , nesse caso, é claro...

– Nesse caso o quê, Sr. Peel? – perguntou Daisy .

– Ah, nada. Minha cabeça está terrível!

Eles perguntaram se Peel precisava de algum a coisa, m as o antigo m ordom o insistiu que tinha tudo o que um hom em poderia querer.

– Não com o m uito e raram ente bebo cervej a. Tenho dinheiro suficiente para com prar j ornal e fum o para o m eu cachim bo. O que acha, j ovem Lloy d? Hitler vai nos invadir? Espero não viver para ver isso.

Em bora tarefas dom ésticas não fossem o seu forte, Daisy fez um a pequena faxina na cozinha.

– Não consigo acreditar – disse ela a Lloy d em voz baixa. – Viver aqui deste j eito e dizer que tem tudo... ele se considera um hom em de sorte!

– Muitos senhores da idade dele estão bem pior – disse Lloy d.

Os dois passaram um a hora conversando com Peel. Antes de saírem , o velho pensou em algo que pudesse querer. Olhou para a fileira de fotografias na parede.

– No funeral do velho conde tiraram um a fotografia – falou. – Nessa época eu ainda não era m ordom o, apenas um lacaio. Todos nós posam os em pé j unto ao carro da funerária. Havia um a grande câm era coberta por um pano, diferente dessas câm eras m odernas. Foi em 1906.

– Aposto que sei onde está essa fotografia – disse Daisy . – Vam os procurar.

Os dois voltaram para a m ansão e desceram até o porão. O quartinho de guardados, que ficava ao lado da adega, era bastante espaçoso. Estava cheio de caixas, baús e artefatos inúteis: um barco dentro de um a garrafa, um a m aquete de Tŷ Gwy n feita com palitos de fósforo, um a côm oda em m iniatura, um a espada dentro de um a bainha toda enfeitada.

Com eçaram a vasculhar as velhas fotografias e os quadros. A poeira fez Daisy espirrar, m as ela insistiu em continuar.

Acabaram encontrando a foto que Peel queria. Junto com ela, dentro da caixa, havia outra im agem do velho duque, ainda m ais antiga. Lloy d a encarou com ar de espanto. A fotografia em sépia tinha uns 13 centím etros de altura por 7,5 de largura, e m ostrava um rapaz usando um uniform e de oficial do Exército vitoriano.

Ele era igualzinho a Lloy d.

– Olhe só isto aqui – falou, entregando a foto a Daisy .

– Poderia ser você, se tivesse costeletas – com entou ela.

– Talvez o velho conde tenha tido um caso com algum a das m inhas antepassadas – com entou Lloy d em tom casual. – Se ela era casada, deve ter fingido que o filho era do m arido. Um a coisa eu lhe digo: eu não ficaria m uito feliz em saber que sou um descendente bastardo da aristocracia... logo um socialista ferrenho com o eu!

– Lloy d, você é idiota, por acaso? – perguntou Daisy .

Ele não soube dizer se ela estava falando sério. Além do m ais, seu nariz estava suj o de poeira de um j eito tão encantador que ele teve vontade de beij á-lo.

– Bem – respondeu –, eu j á m e com portei feito um idiota m ais de um a vez, m as...

– Escute o que eu vou dizer. Sua m ãe era criada desta casa. De repente, em 1914, ela foi para Londres e se casou com um hom em cham ado Teddy sobre o qual ninguém sabe nada, só que seu sobrenom e era William s, o m esm o que o dela, de m odo que ela não precisou m udar de nom e. Esse m isterioso Sr. William s m orreu antes que qualquer um o conhecesse, e seu seguro de vida pagou pela casa em que sua m ãe m ora até hoj e.

– Isso m esm o – disse Lloy d. – Aonde você está querendo chegar?

– Então, depois que o Sr. William s m orreu, ela deu à luz um filho que por acaso é a cópia perfeita do falecido conde Fitzherbert.

Lloy d com eçou a ter um vislum bre do que ela poderia estar sugerindo.

– Continue.

– Você nunca pensou que talvez haj a algum a explicação com pletam ente diferente para essa história toda?

– Até este m om ento, não...

– O que um a fam ília aristocrática faz quando um a de suas filhas engravida? Acontece o tem po todo, você sabe.

– Im agino que aconteça m esm o, m as não sei o que eles fazem . Ninguém nunca fica sabendo.

– Exatam ente. A m oça desaparece por alguns m eses com a criada. Vai para a Escócia, para a Bretanha ou para Genebra. Quando as duas voltam , a em pregada tem um bebezinho nascido, segundo ela, durante as férias. A fam ília a trata com um a gentileza supreendente, m esm o ela tendo adm itido ser culpada de fornicação, e a m anda em bora para m orar a um a distância segura, com um a pequena pensão.

Aquilo parecia um conto de fadas, sem nenhum a relação com a vida real. Mesm o assim , Lloy d ficou intrigado e incom odado.

– E você acha que fui o bebê de um a farsa assim ?

– Eu acho que lady Maud Fitzherbert teve um caso e engravidou de um j ardineiro, de um m ineiro ou talvez de um cafaj este charm oso de Londres. Ela viaj ou para algum lugar e deu à luz em segredo. Sua m ãe concordou em fingir que o bebê era dela e, em troca, ganhou um a casa.

Ocorreu a Lloy d um pensam ento que corroborava essa teoria.

– Ela sem pre se m ostrou evasiva quando eu perguntava sobre m eu verdadeiro pai. – Isso agora lhe parecia suspeito.

– Está vendo? Esse tal de Teddy William s nunca existiu. Para m anter a respeitabilidade, sua m ãe disse que era viúva. Cham ou o m arido fictício de William s para evitar o problem a de ter que trocar de nom e.

Lloy d balançou a cabeça, sem acreditar.

– Parece um a fantasia exagerada.

– Ela continuou am iga de Maud, que aj udou a criar você. Em 1933, sua m ãe o levou a Berlim porque sua m ãe verdadeira queria vê-lo de novo.

Lloy d teve a sensação de estar sonhando, ou de que acabara de acordar.

– Você acha que sou filho de Maud? – indagou, incrédulo.

Daisy bateu com o dedo no porta-retratos que ainda estava segurando.

– E é a cara do seu avô!

Lloy d estava atônito. Aquilo não podia ser verdade, m as fazia sentido.

– Estou acostum ado com o fato de Bernie não ser m eu pai – disse ele. – Mas Ethel não ser m inha m ãe?

Daisy deve ter visto um a expressão de im potência no rosto dele, pois se inclinou para a frente e o tocou, algo que raram ente fazia.

– Desculpe. Fui m uito rude? – perguntou. – Só queria que você visse o que está diante dos seus olhos. Se Peel desconfia da verdade, não acha que outras pessoas tam bém podem desconfiar? Esse é o tipo de coisa que é m elhor escutar de alguém que... de um a am iga.

Um gongo soou ao longe. Com um a voz m ecânica, Lloy d disse:

– É m elhor eu ir ao refeitório alm oçar. – Ele tirou a foto da m oldura e a guardou em um dos bolsos do casaco do uniform e.

– Você ficou chateado – disse Daisy , preocupada.

– Não, chateado não. Só fiquei... espantado.

– Os hom ens sem pre negam quando estão chateados. Por favor, vá m e ver m ais tarde.

– Tudo bem .

– Não vá dorm ir sem falar com igo de novo.

– Pode deixar.

Ele saiu do quarto de guardados e subiu a escada até o salão de j antar, agora transform ado em refeitório. Com eu sua lata de picadinho em conserva com gestos m ecânicos e os pensam entos em turbilhão. Não participou das conversas à m esa sobre os com bates que assolavam a Noruega.

– Sonhando acordado, William s? – perguntou o m aj or Lowther.

– Desculpe, m aj or – respondeu Lloy d autom aticam ente. Então im provisou um a desculpa: – Estava tentando lem brar qual é a patente m ais alta dos alem ães, Generalleutnant ou Generalmajor.

– Generalleutnant é m ais alta – respondeu Lowther. Então com pletou, em voz m ais baixa: – Só não esqueça a diferença entre meine Frau e deine Frau.

Lloy d sentiu o rosto corar. Então sua am izade com Daisy não era tão discreta quanto ele im aginava. Até Lowther j á tinha percebido. Ficou indignado – ele e Daisy não tinham feito nada de im próprio –, m as não protestou. Em bora fosse inocente, sentia-se culpado m esm o assim . Não podia pôr a m ão no coração e j urar que suas intenções fossem puras. Sabia o que Granda diria: “Aquele que olhou para um a m ulher com luxúria j á com eteu adultério com ela em seu coração.” Era esse o ensinam ento de Jesus, e havia m uita verdade nele.

Pensar nos avós o levou a se perguntar se eles saberiam algum a coisa sobre seus verdadeiros pais. A incerteza sobre sua fam ília biológica lhe dava a sensação de estar perdido, com o quando alguém sonha que está despencando de um a grande altura. Se haviam lhe contado m entiras sobre isso, ele poderia ter sido enganado em relação a qualquer coisa.

Resolveu que iria perguntar a Granda e Grandm am . Faria isso nesse dia m esm o, j á que era dom ingo. Assim que conseguiu se retirar do refeitório sem parecer grosseiro, desceu a colina até a Wellington Row.

Pensou que, se perguntasse diretam ente aos avós se era filho de Maud, eles poderiam negar tudo por reflexo. Talvez um a abordagem m ais gradual obtivesse m ais inform ações.

Encontrou os dois sentados na cozinha. Para eles, dom ingo era o dia do Senhor, um dia dedicado à religião, e eles não leriam o j ornal nem ouviriam rádio. No entanto, ficaram felizes em ver o neto, e Grandm am , com o sem pre, preparou chá.

– Eu queria saber m ais sobre m eu pai verdadeiro – com eçou ele. – Mam disse que Teddy William s serviu nos Fuzileiros Galeses, vocês sabiam ?

– Ah, por que desenterrar o passado? – retrucou Grandm am . – Bernie é seu pai.

Lloy d não a contradisse.

– Bernie Leckwith sem pre foi tudo o que um pai poderia ser para m im .

Granda concordou com um gesto de cabeça.

– Mesm o sendo j udeu, ele é um hom em bom , não resta dúvida.

Ele achava que estava sendo de um a tolerância m agnânim a.

Lloy d deixou passar o com entário.

– Mesm o assim estou curioso. Vocês conheceram Teddy William s?

Seu avô fez cara de zangado.

– Não – respondeu. – E lam entam os m uito por isso.

– Ele veio a Tŷ Gwy n com o lacaio de um convidado – disse Grandm am . – Nós nem soubem os que a sua m ãe estava interessada nele, só quando ela foi a Londres para se casar.

– E por que vocês não foram ao casam ento?

Os dois ficaram calados. Então Granda disse:

– Conte a verdade para ele, Cara. Mentir nunca traz coisas boas.

– Sua m ãe cedeu à tentação – disse Grandm am . – Depois que o lacaio foi em bora de Tŷ Gwy n, ela descobriu que estava esperando um filho. – Lloy d j á desconfiava e achava que talvez isso pudesse explicar as evasivas da m ãe. – Seu avô ficou m uito bravo – acrescentou Grandm am .

– Eu passei dos lim ites – prosseguiu Granda. – Esqueci o que Jesus disse: “Não j ulgueis, para que não sej ais j ulgado.” O pecado da sua m ãe foi a luxúria, o m eu foi o orgulho. – Lloy d se espantou ao ver lágrim as brotarem nos olhos azul-claros do avô. – Deus a perdoou, m as eu não; só depois de m uito tem po. A essa altura, m eu genro j á não estava m ais entre nós: tinha m orrido na França.

Lloy d ficou ainda m ais atônito. Aquela era outra história, rica em detalhes, um pouco diferente da que ele ouvira da m ãe e com pletam ente diferente da teoria de Daisy. Será que Granda estava chorando por um genro que nunca existira?

– E a fam ília de Teddy William s? – insistiu ele. – Mam disse que eles eram de Swansea. Ele devia ter pai, m ãe, irm ãos...

– Sua m ãe nunca falava sobre a fam ília dele – disse Grandm am . – Acho que ela sentia vergonha. Sej a qual for o m otivo, não queria conhecê-los. E não cabia a nós contrariá-la em relação a isso.

– Mas talvez eu tenha m ais dois avós em Swansea. E tios, tias, prim os e prim as que nunca conheci.

– É – concordou Granda. – Mas nós não sabem os.

– Minha m ãe sabe.

– Im agino que sim .

– Então vou perguntar a ela – disse Lloy d.