Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 95 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo III

Sua casa ficava a m enos de 500 m etros do hotel. Quando ela chegou, o táxi de Boy encostou logo atrás.

Ele entrou atrás dela no hall.

Não podia m ais ficar naquela casa com ele. Aquilo estava acabado. Nunca m ais iria com partilhar sua casa nem sua cam a.

– Pegue um a m ala para m im , por favor – pediu ela ao m ordom o.

– Pois não, m ilady .

Daisy olhou em volta. A casa era um a residência urbana do século XVIII, de proporções perfeitas, com um a escadaria curva elegante. Mas na verdade não estava triste por deixá-la.

– Para onde você vai? – perguntou Boy .

– Para um hotel, eu acho. Provavelm ente não o Claridge.

– Para encontrar seu am ante!

– Não, ele está no exterior. Mas sim , eu o am o. Sinto m uito, Boy. Você não tem o m enor direito de m e j ulgar... Suas ofensas são piores do que as m inhas. Mas eu j ulgo a m im m esm a.

– Para m im chega – disse ele. – Vou m e divorciar de você.

Ela percebeu que essas eram as palavras pelas quais estava esperando. Agora tinham sido ditas, e estava tudo acabado. Sua nova vida com eçava naquele instante.

Daisy suspirou.

– Graças a Deus.

 

III

Daisy alugou um apartam ento em Piccadilly. Tinha um banheiro grande com chuveiro, ao estilo am ericano. E havia um lavabo separado, só para os convidados – um a extravagância que, aos olhos dos ingleses, beirava o ridículo.

Por sorte, dinheiro não era problem a para Daisy. Seu avô Vy alov a deixara rica, e desde os 21 anos ela controlava a própria fortuna, toda em dólares am ericanos.

Com o era difícil com prar m óveis novos, saiu à cata de antiguidades, das quais havia m uita oferta a preços bons. Pendurou quadros m odernos para dar ao apartam ento um ar alegre e j ovem . Contratou um a lavadeira idosa e um a m oça para fazer a faxina, e achou fácil adm inistrar a casa sem m ordom o ou cozinheira, sobretudo porque não tinha um m arido para paparicar.

Os criados da casa de May fair em pacotaram todas as suas roupas e as enviaram para o apartam ento num pequeno cam inhão de m udanças. Daisy e a lavadeira passaram um a tarde inteira abrindo as caixas e arrum ando tudo.

Ela havia sido ao m esm o tem po hum ilhada e libertada. No fim das contas, achava que estava m elhor assim . A ferida da rej eição iria cicatrizar, e então ela estaria livre de Boy para sem pre.

Um a sem ana depois, com eçou a se perguntar qual teria sido o resultado dos exam es. O m édico naturalm ente devia ter entrado em contato com Boy , que era o m arido. Daisy não queria perguntar a ele. Além do m ais, aquilo não parecia ter im portância agora, e ela esqueceu o assunto.

Estava gostando de organizar a casa nova. Durante algum as sem anas, ficou entretida dem ais para socializar. Depois de arrum ar o apartam ento, decidiu rever todos os am igos que vinha ignorando.

Tinha vários am igos em Londres. Fazia sete anos que m orava na cidade. Durante os últim os quatro, Boy passara m ais tem po fora de casa do que nela, e ela frequentara festas e bailes sozinha. Assim , estar sem m arido não faria m uita diferença em sua vida, pensou. Sem dúvida seria riscada da lista de convidados da fam ília Fitzherbert, m as eles não eram os únicos integrantes da alta sociedade londrina.

Com prou caixas de uísque, gim e cham panhe, passando um pente fino em Londres atrás do que ainda havia de m ercadorias legítim as e adquirindo o restante no m ercado negro. Então enviou convites para um a festa de inauguração do novo apartam ento.

As respostas chegaram com um a prontidão assustadora, todas negativas.

Aos prantos, ela telefonou para Eva Murray .

– Por que ninguém quer vir à m inha festa? – gem eu.

Dez m inutos depois, Eva estava na porta de sua casa.

Veio acom panhada dos três filhos e de um a babá. Jam ie estava com 6 anos, Anna com 4, e a pequena Karen com 2.

Daisy lhe m ostrou o apartam ento e em seguida pediu um chá, enquanto Jam ie transform ava o sofá em tanque, usando as irm ãs com o equipe.

Num inglês com um a m istura de sotaques alem ão, am ericano e escocês, Eva disse:

– Daisy , m eu bem , isto aqui não é Rom a.

– Eu sei. Tem certeza de que está confortável?

Eva estava no final da gravidez do quarto filho.

– Você se im porta se eu puser os pés para cim a?

– É claro que não.

Daisy foi buscar um a alm ofada.

– A sociedade londrina é respeitável – prosseguiu Eva. – Não pense que eu concordo com isso. Já fui excluída em várias ocasiões, e o pobre Jim m y às vezes é esnobado por ter se casado com um a alem ã filha de j udeu.

– Que horror!

– Sej a qual for o m otivo, eu não desej aria isso para ninguém .

– Às vezes eu odeio os ingleses.

– Está se esquecendo de com o são os am ericanos? Não se lem bra que m e dizia que todas as garotas de Buffalo eram esnobes?

Daisy riu.

– Isso parece fazer tanto tem po...

– Você deixou seu m arido – disse Eva. – E fez isso de um j eito indiscutivelm ente espetacular, gritando insultos para ele no bar do Hotel Claridge.

– E olhe que eu só tinha tom ado um m artíni.

Eva sorriu.

– Com o eu queria ter estado lá!

– Acho que eu preferiria não ter estado.

– Não preciso nem dizer que, durante as últim as três sem anas, não se falou em outra coisa na alta roda de Londres.

– Acho que eu deveria ter previsto isso.

– Agora, infelizm ente, acho que qualquer um que aparecer na sua festa será visto com o alguém que aprova o adultério e o divórcio. Nem eu gostaria que m inha sogra soubesse que estive aqui e tom ei chá com você.

– Mas é tão inj usto... Boy m e traiu prim eiro!

– E você achou que as m ulheres fossem tratadas com o iguais?

Daisy lem brou que Eva tinha m uito m ais coisas com que se preocupar do que ser esnobada socialm ente. Sua fam ília continuava na Alem anha nazista. Fitz fizera perguntas por m eio da em baixada suíça e descobrira que seu pai, que era m édico, estava agora em um cam po de concentração, e que seu irm ão que fabricava violinos fora espancado pela polícia e tivera as m ãos quebradas.

– Quando penso nos seus problem as, tenho até vergonha de reclam ar – falou.

– Não precisa ter vergonha. Mas cancele essa festa.

Daisy cancelou, m as ficou arrasada. O trabalho na Cruz Verm elha preenchia seus dias; à noite, porém , não tinha para onde ir nem o que fazer. Ia ao cinem a duas vezes por sem ana. Tentou ler Moby Dick, m as achou o livro entediante. Num dom ingo, foi à m issa. A igrej a de St. Jam es, que fora proj etada pelo arquiteto Christopher Wren e ficava em frente ao seu prédio em Piccadilly, tinha sido bom bardeada, por isso ela foi a St. Martin in the Fields. Boy não estava lá, m as Fitz e Bea sim , e Daisy passou a m issa inteira olhando a parte de trás da cabeça do ex-sogro, pensando que tinha se apaixonado por dois filhos daquele hom em . Boy tinha a aparência da m ãe e o egoísm o obstinado do pai. Lloy d tinha a beleza de Fitz e o coração generoso de Ethel. Por que dem orei tanto para perceber isso?, perguntou-se Daisy .

A igrej a estava cheia de conhecidos seus, m as nenhum deles falou com ela depois da m issa. Daisy estava sozinha e quase sem am igos, num país estrangeiro, no m eio de um a guerra.

Certa noite, pegou um táxi até Aldgate e bateu à porta da casa dos Leckwith. Quando Ethel abriu, ela disse:

– Vim pedir a m ão do seu filho em casam ento.

Ethel deu um a sonora risada e a abraçou.

Daisy havia levado um presente: um a lata de presunto am ericano que recebera de um navegador da Força Aérea dos Estados Unidos. Esse tipo de coisa era um luxo para as fam ílias inglesas, suj eitas ao racionam ento de guerra. Sentada na cozinha com Ethel e Bernie, ficou ouvindo canções no rádio. Os três cantaram “Underneath the Arches”, de Flanagan e Allen.

– Bud Flanagan nasceu aqui m esm o, no East End – disse Bernie com orgulho. – O nom e verdadeiro dele era Chaim Ruben Weintrop.

Os Leckwith estavam anim ados com o Relatório Beveridge, docum ento do governo que havia se tornado um sucesso de vendas.

– O texto foi encom endado por um prim eiro-m inistro conservador e escrito por um econom ista liberal – disse Bernie. – Apesar disso, propõe j ustam ente o que o Partido Trabalhista sem pre quis! Em política, você sabe que está ganhando quando o adversário rouba suas ideias.

– A proposta é que todos os cidadãos com idade para trabalhar paguem um seguro sem anal para receber benefícios quando ficarem doentes, desem pregados, aposentados ou viúvos – explicou Ethel.

– É um a iniciativa sim ples, m as vai transform ar nosso país – afirm ou Bernie, entusiasm ado. – Do berço até o caixão, ninguém nunca m ais vai ficar desam parado.

– E o governo aceitou? – perguntou Daisy .

– Não – respondeu Ethel. – Clem Attlee pressionou Churchill, m as o prim eiro-m inistro não aprovou o relatório. O Tesouro acha que vai sair caro dem ais.

– Tem os que ganhar um a eleição antes de conseguir im plem entá-lo – com pletou Bernie.

Millie, filha de Ethel e Bernie, apareceu para um a visita.

– Não posso ficar m uito tem po – falou. – Abie está cuidando das crianças por m eia hora.

Millie estava desem pregada: as inglesas não com pravam m ais vestidos caros, nem quando tinham dinheiro; felizm ente, porém , o negócio de couros de seu m arido ia m uito bem . O casal tinha dois filhos bebês, Lennie e Pam m ie.

Os quatro tom aram chocolate quente e conversaram sobre o rapaz que adoravam . Tinham poucas notícias de Lloy d. A cada seis ou oito m eses, Ethel recebia um a carta no papel tim brado da em baixada britânica em Madri dizendo que ele estava bem e fazendo a sua parte para derrotar o fascism o. Fora prom ovido a m aj or. Nunca tinha escrito para Daisy por m edo de que Boy visse as cartas, m as agora isso não era m ais problem a. Daisy deu a Ethel o endereço de seu novo apartam ento e anotou o de Lloy d, um núm ero do Correio das Forças Arm adas Britânicas.

Ninguém fazia ideia de quando ele teria um a licença para ir para casa.

Daisy lhes contou sobre Greg e seu filho, Georgy. Sabia que os Leckwith não iam j ulgar seu m eio-irm ão e se alegrariam com a notícia.

Contou tam bém a história da fam ília de Eva em Berlim . Bernie era j udeu, e ficou com os olhos m arej ados ao ouvir sobre as m ãos quebradas de Rudi.

– Eles deveriam ter lutado contra os m alditos fascistas nas ruas, quando tiveram oportunidade – falou. – Foi o que nós fizem os.

– Ainda tenho nas costas as cicatrizes de quando a polícia nos em purrou contra a vitrine da Gardiner’s – disse Millie. – Antes tinha vergonha delas... Abie só viu m inhas costas depois de seis m eses de casados. Mas disse que tem orgulho de m im .

– Essa briga na Cable Street foi bem feia – com entou Bernie. – Mas dem os um basta naquela bobaj ada violenta. – Ele tirou os óculos e enxugou os olhos com o lenço.

Ethel passou um braço em volta dos om bros do m arido.

– Eu disse às pessoas que ficassem em casa naquele dia – falou. – Eu estava errada, e você estava certo.

Ele deu um sorriso triste.

– Isso não é m uito frequente.

– Mas foi a Lei de Ordem Pública prom ulgada depois de Cable Street que acabou com os fascistas britânicos – continuou Ethel. – O Parlam ento proibiu o uso de uniform es políticos em público. Isso foi o fim deles. Sem poder se pavonear pelas ruas de cam isa preta, eles não eram nada. Quem fez isso foram os conservadores... é preciso reconhecer seu m érito.

Os Leckwith eram um a fam ília politizada e j á estavam planej ando a reform a da Grã-Bretanha pelo Partido Trabalhista depois da guerra. O líder do partido, o brilhante e discreto Clem ent Attlee, era agora vice-prim eiro-m inistro de Churchill, e o herói sindicalista Ernie Bevin era m inistro do Trabalho. A visão desses dois hom ens deixava Daisy anim ada em relação ao futuro.

Millie foi em bora, e Bernie foi se deitar. Quando as duas ficaram sozinhas, Ethel perguntou a Daisy :

– Você quer m esm o se casar com o m eu Lloy d?

– Mais do que tudo neste m undo. A senhora acha que vai dar certo?

– Acho. Por que não daria?

– Porque tem os origens m uito diferentes. Vocês são pessoas tão boas... O serviço público é seu obj etivo na vida.

– Exceto para nossa Millie. Ela é igual ao irm ão de Bernie... só pensa em ganhar dinheiro.

– Mas até ela tem cicatrizes nas costas por causa da batalha da Cable Street.

– É verdade.

– Lloy d é igual à senhora. A política não é apenas m ais um a das coisas que ele faz, com o se fosse um hobby ... É o centro da vida dele. No entanto, sou apenas um a m ilionária egoísta.

– Acho que existem dois tipos de casam ento – disse Ethel, com preensiva. – O prim eiro é um a parceria confortável, na qual duas pessoas com partilham as m esm as esperanças e m edos, criam os filhos j untos, se apoiam e se reconfortam . – Daisy percebeu que ela estava se referindo ao próprio casam ento com Bernie. – O outro é um a paixão avassaladora, é loucura, alegria e sexo. Talvez aconteça com alguém totalm ente inadequado, um a pessoa que você não adm ira e de quem nem gosta realm ente. – Daisy teve certeza de que agora ela estava pensando em seu caso com Fitz. Prendeu a respiração. Sabia que Ethel estava lhe contando a verdade nua e crua. – Eu tive sorte, porque vivi as duas coisas. E m eu conselho para você é: se tiver a chance de viver esse am or louco, agarre-a com todas as forças, e que se danem as consequências.

– Uau! – exclam ou Daisy .

Ela foi em bora alguns m inutos m ais tarde. Sentia-se privilegiada por Ethel ter lhe proporcionado aquele vislum bre de sua alm a. Quando voltou para o apartam ento vazio de Piccadilly, porém , sentiu-se deprim ida outra vez. Preparou um drinque e o j ogou fora. Pôs a chaleira no fogo e tornou a tirar. A program ação do rádio acabou. Ela se deitou entre os lençóis frios e desej ou que Lloy d estivesse ali.

Com parou a fam ília de Lloy d com a sua. Am bas tinham histórias atribuladas, m as Ethel havia form ado um a fam ília unida e solidária a partir de um m aterial desfavorável, coisa que a m ãe de Daisy não conseguira fazer – em bora m ais por culpa de Lev do que de Olga. Ethel era um a m ulher notável, e Lloy d tinha m uitas de suas qualidades.

Onde estaria ele agora? O que estaria fazendo? Qualquer que fosse a resposta, certam ente estava correndo perigo. Será que iria m orrer j usto agora, quando Daisy finalm ente estava livre para am á-lo sem entraves, e até m esm o para se casar com ele? O que ela faria se ele m orresse? Seria o fim da sua vida: sem m arido, sem am ante, sem am igos, sem país. O dia j á estava am anhecendo quando ela enfim adorm eceu, depois de tanto chorar.

No dia seguinte, acordou tarde. Ao m eio-dia, estava tom ando café na pequena sala de j antar, usando um roupão de seda preta, quando sua em pregada de 15 anos entrou e disse:

– O m aj or William s está aqui, senhora.

– O quê?! – exclam ou ela. – Não pode ser!

Então Lloy d cruzou a porta com a bolsa de lona pendurada no om bro.

Tinha um ar cansado e um a barba de vários dias. Era óbvio que havia dorm ido com aquele uniform e.

Ela se atirou nos braços dele e beij ou seu rosto áspero. Ele retribuiu seus beij os, um pouco inibido por não conseguir parar de sorrir.

– Eu devo estar fedendo – falou entre os beij os. – Faz um a sem ana que não troco de roupa.

– Você está com o m esm o cheiro de um a fábrica de queij o – disse ela. – E eu adoro.

Ela o puxou até o quarto e com eçou a tirar suas roupas.

– Vou tom ar um a ducha rápida – disse ele.

– Não – retrucou ela. Então o em purrou de costas na cam a. – Estou com m uita pressa.

O desej o que sentia por ele era ardente. E a verdade era que ela estava gostando daquele cheiro forte. Deveria ter sentido repulsa, m as o efeito foi j ustam ente o contrário. Aquele era Lloy d, o hom em que ela achara que pudesse estar m orto, e era o cheiro dele que estava lhe enchendo as narinas e os pulm ões. Ela poderia ter chorado de tanta alegria.

Tirar a calça dele exigiria que tirasse antes suas botas, e ela pôde ver que isso seria m uito com plexo, então nem se deu o trabalho. Sim plesm ente desabotoou a braguilha. Jogou longe o roupão de seda preta e levantou a cam isola até a cintura, sem desgrudar os olhos gulosos e felizes do pênis m uito branco que despontava do tecido cáqui grosseiro. Então sentou-se sobre ele e abaixou o corpo devagar, curvando-se para a frente para beij á-lo.

– Meu Deus – disse ela. – Você nem im agina quanto tenho desej ado isto.

Ficou deitada em cim a dele sem se m exer m uito, beij ando-o sem parar. Ele segurou seu rosto com am bas as m ãos e a encarou.

– Isto aqui é real, não é? – indagou. – Não é só m ais um sonho feliz?

– É real, sim – respondeu ela.

– Ótim o. Não gostaria de acordar agora.

– Quero ficar assim para sem pre.

– Boa ideia, m as não vou conseguir ficar parado por m uito tem po m ais.

Ele com eçou a se m exer debaixo dela.

– Se você fizer isso, vou ter um orgasm o – disse Daisy .

E de fato teve.

Depois do sexo, eles passaram um longo tem po deitados, conversando.

Lloy d tinha 15 dias de licença.

– Fique aqui – disse Daisy . – Pode visitar seus pais todos os dias, m as quero você à noite.

– Eu não iria querer estragar sua reputação.

– Já está estragada. Eu j á fui excluída da alta sociedade londrina.

– Eu sei.

Ele havia telefonado para Ethel da estação de Waterloo, e sua m ãe lhe contara sobre a separação de Daisy e Boy e lhe dera o endereço do apartam ento em Piccadilly .

– Precisam os usar algum m étodo anticoncepcional – disse ele. – Vou arranj ar uns preservativos. Mas talvez sej a bom você colocar algum a coisa. O que acha?

– Você quer ter certeza de que eu não vou engravidar? – perguntou ela.

Percebeu que sua voz tinha um a pontinha de tristeza, e Lloy d tam bém a notou.

– Não m e entenda m al – disse ele, apoiando-se sobre o cotovelo. – Sou filho bastardo. Ouvi m entiras sobre m inha origem e tive um choque terrível quando descobri a verdade. – A voz dele estrem eceu de leve por causa da em oção. – Nunca vou fazer m eus filhos passarem por isso. Nunca.

– Não precisaríam os m entir.

– E diríam os a eles que não som os casados? Que você na verdade é casada com outra pessoa?

– Por que não?

– Pense nas zom barias que eles teriam que ouvir na escola.

Daisy não estava convencida, m as aquela questão claram ente era im portante para ele.

– Então qual é o seu plano? – perguntou.

– Quero ter filhos com você. Mas só quando estiverm os casados. Um com o outro.

– Isso eu j á entendi – disse ela. – Então...

– Vam os ter que esperar.

Os hom ens eram lentos para entender indiretas.

– Não sou um a garota m uito apegada às tradições – disse ela. – Mas ainda assim existem algum as coisas...

Ele finalm ente entendeu aonde ela estava querendo chegar.

– Ah! Tudo bem . Só um instante. – Ele se aj oelhou na cam a. – Daisy , querida...

Ela deu um a gargalhada. Lloy d estava hilário: ainda de uniform e, com o pênis agora flácido pendurado para fora da braguilha.

– Posso tirar um a foto de você assim ? – perguntou ela.

Ele olhou para baixo e viu do que ela estava falando.

– Ah, desculpe.

– Não... nem se atreva a guardá-lo! Fique assim m esm o e diga o que ia dizer.

Ele abriu um sorriso.

– Daisy , querida, você aceita ser m inha esposa?

– Sem pestanej ar – respondeu ela.

Os dois tornaram a se deitar, abraçados.

O cheiro dele logo deixou de ser um a novidade interessante. Os dois entraram no chuveiro j untos. Ela o ensaboou inteiro, divertindo-se com o seu constrangim ento ao ter as partes m ais íntim as do corpo lavadas. Passou xam pu em seus cabelos e esfregou seus pés im undos com um a escova.

Quando ele estava lim po, insistiu em dar banho nela, m as só conseguiu chegar aos seios antes que precisassem fazer am or outra vez. Transaram ali m esm o, de pé no chuveiro, com a água quente escorrendo por seus corpos. Ele obviam ente havia esquecido m om entaneam ente sua aversão à gravidez indesej ada, e ela não se im portou.

Em seguida, ele fez a barba em pé diante do seu espelho. Ela se enrolou num a toalha grande e sentou-se na tam pa da privada para observá-lo.

– Quanto tem po vai dem orar para você se divorciar? – perguntou ele.

– Não sei. É m elhor eu falar com Boy .

– Mas hoj e não. Quero você só para m im o dia inteiro.

– Quando você vai visitar seus pais?

– Am anhã, talvez.

– Então irei falar com Boy am anhã tam bém . Quero resolver isso o quanto antes.

– Ótim o – disse ele. – Com binado, então.