Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 114 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo V

Depois de Woody gozar, Bella ainda continuou beij ando seu pênis até am olecer. Então tornou a guardá-lo delicadam ente dentro da calça e se levantou.

– Foi incrível – sussurrou. – Obrigada.

Era ele que pretendia agradecer. Em vez disso, tom ou-a nos braços e a puxou para perto de si. Sentia tanta gratidão por ela que poderia ter chorado. Não tinha percebido quanto necessitava do afeto de um a m ulher naquela noite. Era com o se um a nuvem negra tivesse sido afastada de cim a de sua cabeça.

– Não sei nem dizer com o... – com eçou ele, m as não encontrou as palavras para explicar o que aquilo significava para ele.

– Então não diga – interrom peu ela. – Eu j á sei, m esm o. Pude sentir.

Cam inharam até o prédio dela. Na porta, ele disse:

– Será que nós podem os...

Ela levou um dedo aos seus lábios para im pedi-lo de falar.

– Vá ganhar essa guerra – falou.

E entrou no prédio.

 

V

Agora, quando Daisy ia à m issa de dom ingo, o que não era m uito frequente, evitava as igrej as de elite do West End, cuj os fiéis a haviam esnobado. Em vez disso, pegava o m etrô até Aldgate e ia ao tem plo do Evangelho do Calvário. As diferenças de doutrina eram grandes, m as não tinham im portância para ela. Os cânticos no East End eram m elhores.

Ela e Lloy d chegavam separados à igrej a. As pessoas de Aldgate sabiam quem Daisy era e gostavam de ver um a aristocrata rebelde sentada em um de seus bancos baratos. Mas seria pedir dem ais que tolerassem que um a m ulher separada do m arido chegasse de braços dados com o am ante. Com o tinha dito Billy , irm ão de Ethel:

– Jesus não condenou a m ulher adúltera, m as lhe disse para não m ais pecar.

Durante a m issa, ficou pensando em Boy. Será que suas palavras conciliatórias da noite anterior tinham sido sinceras ou seriam apenas um deslize da em briaguez? Boy chegara até a apertar a m ão de Lloy d antes de ir em bora. Com certeza isso significava um perdão... ou não? Mas Daisy disse a si m esm a que não tivesse m uitas esperanças. Boy era a pessoa m ais egoísta que ela j á conhecera, pior até do que o conde Fitzherbert ou o m eio-irm ão dela, Greg.

Depois da m issa, Daisy m uitas vezes ia alm oçar na casa de Eth Leckwith, m as nesse dia deixou Lloy d com a fam ília e partiu depressa.

Voltou para o West End e bateu na porta da casa do m arido em May fair. O m ordom o a conduziu até a sala íntim a.

Boy entrou na sala aos gritos.

– Que diabo é isso? – vociferou e j ogou um j ornal em cim a dela.

Daisy j á o vira assim m uitas vezes e não tinha m edo dele. Num a única ocasião Boy havia levantado a m ão para bater nela, que reagira pegando um castiçal pesado e am eaçando acertá-lo. A situação não se repetira.

Em bora não sentisse m edo, estava decepcionada. Boy havia se m ostrado tão bem -hum orado na véspera... Mas talvez ainda pudesse ouvir a voz da razão.

– O que aconteceu para deixar você assim ? – perguntou, calm a.

– Olhe essa m aldita m anchete.

Ela se abaixou para pegar o j ornal do chão. Era a edição dom inical do Sunday Mirror, um tabloide popular de esquerda. A capa trazia um a foto do cavalo novo de Boy, Lucky Laddie, e as palavras:

LUCKY LADDIE –

VALE 28 MINEIROS

A história do preço recorde que Boy pagara pelo cavalo tinha saído na im prensa da véspera, m as nesse dia o Mirror publicou um editorial irado segundo o qual o preço do anim al, 8.400 libras, equivalia exatam ente a 28 vezes a indenização-padrão de 300 libras paga à viúva de um m ineiro m orto num acidente de trabalho.

E a fortuna dos Fitzherbert vinha j ustam ente das m inas de carvão.

– Meu pai está furioso – disse Boy. – Ele tinha esperança de se tornar m inistro das Relações Exteriores no governo do pós-guerra. Mas esse artigo provavelm ente acabou com suas chances.

– Boy , você pode m e explicar por que isso é culpa m inha? – perguntou Daisy , irritada.

– Vej a quem assinou essa droga!

Daisy viu.

Por Billy William s

Membro do Parlamento por Aberowen

– O tio do seu nam orado! – exclam ou Boy .

– Você acha que ele fala com igo antes de escrever seus artigos?

– Por algum m otivo essa fam ília nos detesta! – disse Boy , exaltado.

– Eles acham inj usto você ganhar tanto dinheiro com carvão enquanto os m ineiros recebem tão pouco. Com o sabe, estam os em guerra.

– Você m esm a vive de herança – retrucou ele. – E ontem à noite, naquele seu apartam ento de Piccadilly , não vi m uitos indícios da austeridade de tem pos de guerra.

– Tem razão – adm itiu ela. – Mas dei um a festa para os soldados. E você gastou um a fortuna em um cavalo.

– O dinheiro é m eu!

– Mas você ganhou com carvão.

– Você passou tanto tem po na cam a com aquele m aldito William s que virou um a droga de um a bolchevique.

– Isso é m ais um a coisa que nos afasta. Boy, você quer m esm o continuar casado com igo? Poderia encontrar alguém que com binasse com você. Metade das m oças de Londres adoraria ser a viscondessa de Aberowen.

– Não vou fazer nada por essa m aldita fam ília William s. Além do m ais, ontem à noite ouvi dizer que seu nam orado quer ser deputado.