Inverno do Mundo
Capítulo V
Depois de Woody gozar, Bella ainda continuou beij ando seu pênis até am olecer. Então tornou a guardá-lo delicadam ente dentro da calça e se levantou.
– Foi incrível – sussurrou. – Obrigada.
Era ele que pretendia agradecer. Em vez disso, tom ou-a nos braços e a puxou para perto de si. Sentia tanta gratidão por ela que poderia ter chorado. Não tinha percebido quanto necessitava do afeto de um a m ulher naquela noite. Era com o se um a nuvem negra tivesse sido afastada de cim a de sua cabeça.
– Não sei nem dizer com o... – com eçou ele, m as não encontrou as palavras para explicar o que aquilo significava para ele.
– Então não diga – interrom peu ela. – Eu j á sei, m esm o. Pude sentir.
Cam inharam até o prédio dela. Na porta, ele disse:
– Será que nós podem os...
Ela levou um dedo aos seus lábios para im pedi-lo de falar.
– Vá ganhar essa guerra – falou.
E entrou no prédio.
V
Agora, quando Daisy ia à m issa de dom ingo, o que não era m uito frequente, evitava as igrej as de elite do West End, cuj os fiéis a haviam esnobado. Em vez disso, pegava o m etrô até Aldgate e ia ao tem plo do Evangelho do Calvário. As diferenças de doutrina eram grandes, m as não tinham im portância para ela. Os cânticos no East End eram m elhores.
Ela e Lloy d chegavam separados à igrej a. As pessoas de Aldgate sabiam quem Daisy era e gostavam de ver um a aristocrata rebelde sentada em um de seus bancos baratos. Mas seria pedir dem ais que tolerassem que um a m ulher separada do m arido chegasse de braços dados com o am ante. Com o tinha dito Billy , irm ão de Ethel:
– Jesus não condenou a m ulher adúltera, m as lhe disse para não m ais pecar.
Durante a m issa, ficou pensando em Boy. Será que suas palavras conciliatórias da noite anterior tinham sido sinceras ou seriam apenas um deslize da em briaguez? Boy chegara até a apertar a m ão de Lloy d antes de ir em bora. Com certeza isso significava um perdão... ou não? Mas Daisy disse a si m esm a que não tivesse m uitas esperanças. Boy era a pessoa m ais egoísta que ela j á conhecera, pior até do que o conde Fitzherbert ou o m eio-irm ão dela, Greg.
Depois da m issa, Daisy m uitas vezes ia alm oçar na casa de Eth Leckwith, m as nesse dia deixou Lloy d com a fam ília e partiu depressa.
Voltou para o West End e bateu na porta da casa do m arido em May fair. O m ordom o a conduziu até a sala íntim a.
Boy entrou na sala aos gritos.
– Que diabo é isso? – vociferou e j ogou um j ornal em cim a dela.
Daisy j á o vira assim m uitas vezes e não tinha m edo dele. Num a única ocasião Boy havia levantado a m ão para bater nela, que reagira pegando um castiçal pesado e am eaçando acertá-lo. A situação não se repetira.
Em bora não sentisse m edo, estava decepcionada. Boy havia se m ostrado tão bem -hum orado na véspera... Mas talvez ainda pudesse ouvir a voz da razão.
– O que aconteceu para deixar você assim ? – perguntou, calm a.
– Olhe essa m aldita m anchete.
Ela se abaixou para pegar o j ornal do chão. Era a edição dom inical do Sunday Mirror, um tabloide popular de esquerda. A capa trazia um a foto do cavalo novo de Boy, Lucky Laddie, e as palavras:
LUCKY LADDIE –
VALE 28 MINEIROS
A história do preço recorde que Boy pagara pelo cavalo tinha saído na im prensa da véspera, m as nesse dia o Mirror publicou um editorial irado segundo o qual o preço do anim al, 8.400 libras, equivalia exatam ente a 28 vezes a indenização-padrão de 300 libras paga à viúva de um m ineiro m orto num acidente de trabalho.
E a fortuna dos Fitzherbert vinha j ustam ente das m inas de carvão.
– Meu pai está furioso – disse Boy. – Ele tinha esperança de se tornar m inistro das Relações Exteriores no governo do pós-guerra. Mas esse artigo provavelm ente acabou com suas chances.
– Boy , você pode m e explicar por que isso é culpa m inha? – perguntou Daisy , irritada.
– Vej a quem assinou essa droga!
Daisy viu.
Por Billy William s
Membro do Parlamento por Aberowen
– O tio do seu nam orado! – exclam ou Boy .
– Você acha que ele fala com igo antes de escrever seus artigos?
– Por algum m otivo essa fam ília nos detesta! – disse Boy , exaltado.
– Eles acham inj usto você ganhar tanto dinheiro com carvão enquanto os m ineiros recebem tão pouco. Com o sabe, estam os em guerra.
– Você m esm a vive de herança – retrucou ele. – E ontem à noite, naquele seu apartam ento de Piccadilly , não vi m uitos indícios da austeridade de tem pos de guerra.
– Tem razão – adm itiu ela. – Mas dei um a festa para os soldados. E você gastou um a fortuna em um cavalo.
– O dinheiro é m eu!
– Mas você ganhou com carvão.
– Você passou tanto tem po na cam a com aquele m aldito William s que virou um a droga de um a bolchevique.
– Isso é m ais um a coisa que nos afasta. Boy, você quer m esm o continuar casado com igo? Poderia encontrar alguém que com binasse com você. Metade das m oças de Londres adoraria ser a viscondessa de Aberowen.
– Não vou fazer nada por essa m aldita fam ília William s. Além do m ais, ontem à noite ouvi dizer que seu nam orado quer ser deputado.