Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 119 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo II

– Exatam ente.

Eles ouviram passos de alguém correndo, um barulho incom um nos distintos corredores do Capitólio. Olharam em volta. Woody ficou surpreso ao ver o vice-presidente Harry Trum an passar às pressas. Estava vestido norm alm ente, com um terno cinza de abotoam ento duplo e um a gravata com estam pa de bolinhas, m as não usava chapéu. Estava sem sua escolta habitual de assessores e seguranças do Serviço Secreto. Corria num ritm o regular, ofegante, sem olhar para ninguém , m uito apressado para chegar a algum lugar.

Com o todas as pessoas ali presentes, Woody e Gus observaram , pasm os, Trum an passar.

Quando o vice-presidente desapareceu num a esquina, Woody perguntou:

– Mas que droga está acontecendo?

– O presidente deve ter m orrido – respondeu Gus.

 

II

Volody a Peshkov entrou na Alem anha a bordo de um cam inhão m ilitar de cinco eixos, um Studebaker US6. Fabricado em South Bend, Indiana, o cam inhão fora transportado de trem até Baltim ore, atravessara o Atlântico e dobrara o cabo da Boa Esperança até chegar ao golfo Pérsico, de onde prosseguira de trem da Pérsia até a região central da Rússia. Sabia que aquele era um dos 200 Studebakers cedidos ao Exército Verm elho pelo governo am ericano. Os russos gostavam daqueles cam inhões: eram veículos robustos e confiáveis. Segundo os soldados, as letras “USA” pintadas na lateral significavam Ubit Sukina syna Adolf, “m atem aquele filho da puta do Adolf”.

Eles tam bém gostavam da com ida que os am ericanos m andavam , sobretudo das latas de carne prensada cham ada Spam , que, apesar da estranha cor rosada, era gloriosam ente gordurosa.

Volody a fora transferido para a Alem anha porque j á não recebia de seus espiões em Berlim inform ações tão atualizadas quanto as que se podia obter interrogando prisioneiros de guerra alem ães. O fato de ser fluente naquele idiom a fazia dele um interrogador de prim eira categoria para a linha de frente.

Ao cruzar a fronteira, viu um cartaz do governo soviético que dizia: “Soldado do Exército Verm elho, agora você está em solo alem ão. Chegou a hora da vingança!” Aquela era um a das peças de propaganda m ais leves. Já fazia algum tem po que o Krem lin vinha instigando o ódio aos alem ães, pois acreditava que isso faria os soldados lutarem com m ais vontade. Os com issários políticos haviam calculado – ou ao m enos era o que diziam – o núm ero de hom ens m ortos em com bate, de casas incendiadas e civis assassinados por serem com unistas, eslavos ou j udeus em cada vilarej o e cidade tom ada pelo Exército alem ão. Muitos soldados do front sabiam de cor os núm eros relativos às suas regiões de origem e estavam ansiosos para causar o m esm o estrago na Alem anha.

O Exército Verm elho chegou ao rio Oder, que serpeava pela Prússia de norte a sul: aquele era o últim o obstáculo antes de Berlim . Um m ilhão de soldados soviéticos aguardavam a oitenta quilôm etros da capital, prontos para atacar. Volody a fazia parte do 5 o Exército de Choque. Enquanto esperava o início dos com bates, deu um a olhada no j ornal do Exército, cham ado Estrela Vermelha.